Estudos sobre fatores que prejudicam ou diminuem os níveis de felicidade não são recentes. Já se sabe, por exemplo, que estilo de vida, alimentação, rotina de trabalho exaustiva, pensamentos negativos, entre outros, podem comprometer o estabelecimento de uma vida feliz e com propósito. Mas não é só isso: a poluição ambiental também pode diminuir a felicidade e, consequentemente, a expectativa de vida.
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Esta é a hipótese levantada por um novo estudo da Universidade de Osaka, no Japão, publicado recentemente na revista científica Environmental Research. De acordo com os pesquisadores, contaminantes no ambiente podem, sim, ter um efeito negativo sobre o bem-estar emocional ao longo da vida.
Como o estudo foi realizado
O estudo levou em consideração uma ferramenta de avaliação de risco capaz de definir a expectativa de vida feliz, ou seja, o tempo de vida útil em que uma pessoa é capaz de sentir bem-estar emocional. A ferramenta também é capaz de avaliar a chamada “perda da expectativa de vida feliz” (PEVh), que é a diminuição no tempo de experiências emocionais positivas na vida de um indivíduo.
A PEVh é calculada combinando tanto a redução da felicidade quanto o aumento da mortalidade associada à exposição ao risco.
“Anteriormente, usamos o indicador PEVh para avaliar o sofrimento psicológico e o risco de câncer associado à exposição à radiação após o acidente na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, entre outras situações”, disse o autor principal do estudo, Michio Murakami.
“No entanto, essa ferramenta não foi usada para avaliar os efeitos do câncer ou da exposição a agentes carcinogênicos ambientais na felicidade.
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Para abordar isso, os pesquisadores entrevistaram japoneses para determinar sua felicidade média por idade e sexo, e avaliar se o câncer reduz a felicidade emocional. Em seguida, a PEVh foi calculada para exposição a agentes comuns causadores de câncer no Japão, bem como sofrimento psicológico, permitindo a comparação dos diferentes tipos de exposição ao risco.
“Os resultados foram intrigantes”, explicou Shuhei Nomura, também autor do estudo. “Descobrimos que a felicidade emocional não diminuiu significativamente naqueles com câncer, nem houve qualquer associação significativa entre felicidade emocional e tipo, histórico ou estágio do câncer.”
No geral, a exposição a agentes carcinogênicos ambientais diminuiu a felicidade emocional ao longo da vida em 0,0064 anos para o radônio, 0,0026 anos para o arsênio e 0,00086 anos para partículas finas na atmosfera, devido à sua mortalidade. A diminuição na felicidade emocional foi ainda mais pronunciada pelo sofrimento psicológico, que resultou em uma PEVh de 0,97 anos.
“Nossos descobertas sugerem que a exposição a carcinógenos e sofrimento psicológico diminui significativamente a felicidade ao longo da vida”, afirmou Murakami.
Dada a clara diminuição na felicidade emocional ao longo da vida associada aos carcinógenos, as descobertas deste estudo sugerem que as políticas ambientais devem focar na redução da exposição a esses produtos químicos. Aplicar esse entendimento às políticas de saúde pública poderia ajudar as pessoas a viverem vidas mais longas e felizes.
Referência:
Murakami, Michio et al. “Comparing the risks of environmental carcinogenic chemicals in Japan using the loss of happy life expectancy indicator.” Environmental research, vol. 251,Pt 1 118637. 8 Mar. 2024, doi:10.1016/j.envres.2024.118637

