Qual é a idade máxima da felicidade?

Você já se perguntou em que idade as pessoas tendem a ser mais felizes e se isso existe de fato? Essa é uma pergunta que intriga os pesquisadores há anos, e uma recente meta-análise de dados longitudinais investigar a fundo esse assunto. 

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O estudo, que se concentrou nos componentes do bem-estar subjetivo (tratado pela sigla SWB), como satisfação de vida, afeto positivo e afeto negativo, examinou as tendências de felicidade ao longo da vida. 

Os resultados variam consideravelmente e oferecem informações importantes sobre o fluxo e refluxo de nossa felicidade ao longo dos anos.

O estudo baseou-se em uma extensa análise de 443 amostras únicas e quase meio milhão de participantes.

Veja como o padrão de “felicidade” é diferente ao longo da vida.

Da infância à adolescência: uma montanha-russa

A satisfação de vida na infância (por volta dos 9 aos 16 anos) mostrou um declínio (d = −0,56), o que pode não ser uma surpresa, dado os desafios e mudanças que os jovens enfrentam durante esses anos formativos. Esse declínio pode ser influenciado por fatores como pressões acadêmicas e relacionamentos com os colegas.

Início da idade adulta: uma pequena elevação

Conforme as pessoas entram na idade adulta, pode-se perceber um leve aumento na satisfação de vida, atingindo o pico por volta dos 70 anos (d = 0,16). Esse período pode representar um momento de otimismo e crescimento pessoal, à medida que os jovens adultos estabelecem suas carreiras, relacionamentos e famílias.

Início da terceira idade: possível declínio

Curiosamente, a satisfação de vida diminuiu novamente para aqueles com 70 anos ou mais, com um declínio significativo observado até os 96 anos (d = −0,24). Essa tendência levanta questões intrigantes sobre os fatores que afetam a felicidade na terceira idade. 

É importante lembrar que o estudo só tinha dados até os 96 anos, deixando a trajetória da felicidade além dessa idade um tanto incerta.

Afetos positivo e negativo ao longo da vida

O afeto positivo, que engloba sentimentos de alegria e felicidade, mostrou uma trajetória consistentemente descendente a partir dos 9 anos e continuou a declinar até os 94 anos (d = −1,71). Essa tendência sugere que, à medida que envelhecemos, podemos experimentar menos momentos de felicidade ou empolgação intensa.

O afeto negativo, por sua vez, que abrange emoções como tristeza e ansiedade, mostrou flutuações durante a infância e adolescência (até os 22 anos). Após os 22 anos, o afeto negativo geralmente diminuiu até cerca de 60 anos (d = −0,92). No entanto, depois disso, exibiu uma tendência crescente até os 87 anos (d = 0,58).

Um quadro complexo

As descobertas do estudo indicam que o caminho para a felicidade está longe de ser simples. A satisfação de vida parece seguir uma curva em forma de U, com quedas na adolescência e na terceira idade, enquanto o afeto positivo diminui consistentemente ao longo dos anos. O afeto negativo, por outro lado, possui seu próprio padrão único de altos e baixos.

Esses resultados desafiam a noção convencional de que a felicidade melhora consistentemente com a idade. Em vez disso, sugerem que o bem-estar é influenciado por uma infinidade de fatores, incluindo experiências pessoais, mudanças na sociedade e resiliência individual.

Não existe uma idade-limite para a felicidade

Compreender a dinâmica da felicidade ao longo da vida pode ter profundas implicações para nosso bem-estar. Essas descobertas destacam o valor potencial de intervenções destinadas a manter ou melhorar o SWB em adultos mais velhos, especialmente durante as fases posteriores da vida, quando a felicidade tende a diminuir.

Em última análise, a idade em que somos mais felizes é uma complexa interação entre altos e baixos da vida. É um lembrete de que a felicidade não é projeto com data de validade, mas uma jornada influenciada pelas experiências e escolhas que fazemos ao longo do caminho. 

Portanto, não importa a sua idade: nunca é tarde demais para buscar a felicidade e o bem-estar dentro dos seus objetivos pessoais.

Referência:

Buecker, S., Luhmann, M., Haehner, P., Bühler, J. L., Dapp, L. C., Luciano, E. C., & Orth, U. (2023). The development of subjective well-being across the life span: A meta-analytic review of longitudinal studies. Psychological Bulletin, 149(7-8), 418–446. https://doi.org/10.1037/bul0000401

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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