Cientistas identificaram uma proteína que ajuda a explicar por que o envelhecimento aumenta o risco de doenças neurodegenerativas. O estudo aponta que o acúmulo da proteína EPS8 pode favorecer a formação de agregados proteicos tóxicos associados à esclerose lateral amiotrófica (ELA) e à doença de Huntington.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe do CECAD Cluster of Excellence for Aging Research e publicada na revista Nature Aging. Os experimentos foram realizados inicialmente no nematódeo Caenorhabditis elegans e posteriormente reproduzidos em células humanas.

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Embora a idade seja o principal fator de risco conhecido para diversas doenças neurodegenerativas, ainda não está totalmente definido quais alterações moleculares do envelhecimento desencadeiam a perda progressiva dos neurônios.

EPS8 aumenta com o envelhecimento

Os pesquisadores concentraram a investigação na EPS8, uma proteína cujos níveis aumentam à medida que o organismo envelhece e surgem doenças neurodegenerativas.

Estudos anteriores já haviam indicado que seu acúmulo ativa respostas celulares prejudiciais e reduz a longevidade dos vermes. No novo trabalho, a equipe analisou como a EPS8 afeta vias de sinalização relacionadas à agregação de proteínas.

Os resultados mostraram que níveis elevados de EPS8 e a hiperativação da sinalização RAC favorecem a formação de proteínas anormais e a neurodegeneração.

O acúmulo dessas proteínas é uma característica central de doenças como ELA e Huntington. Quando não são corretamente dobradas, degradadas ou removidas, elas podem formar agregados que comprometem o funcionamento das células nervosas.

Redução da EPS8 protegeu neurônios

Ao diminuir a atividade da EPS8 nos vermes, os cientistas observaram uma redução no acúmulo de agregados proteicos tóxicos.

A intervenção também ajudou a preservar a função neuronal em modelos de ELA e doença de Huntington.

Os resultados sugerem que a EPS8 não é apenas uma alteração associada ao avanço da idade, mas pode participar diretamente dos processos que conectam o envelhecimento à neurodegeneração.

Segundo a primeira autora do estudo, Seda Koyuncu, o mecanismo pode ajudar a preencher parte da lacuna existente entre as mudanças provocadas pela idade e o desenvolvimento dessas doenças.

Mecanismo também foi observado em células humanas

A EPS8 e as moléculas envolvidas em sua via de sinalização foram preservadas ao longo da evolução e também estão presentes em células humanas.

Para avaliar a relevância do mecanismo em humanos, os pesquisadores reduziram os níveis de EPS8 em modelos celulares de ELA e doença de Huntington.

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Assim como nos vermes, a intervenção impediu que os agregados proteicos tóxicos se acumulassem com a mesma intensidade.

A reprodução dos resultados em células humanas reforça a possibilidade de que a via identificada participe de processos relacionados às doenças neurodegenerativas.

O estudo também demonstra como organismos mais simples, como C. elegans, podem ser utilizados para identificar mecanismos biológicos posteriormente avaliados em modelos humanos.

Possível alvo contra doenças neurodegenerativas

Os cientistas ainda não sabem exatamente como o aumento da atividade da EPS8 provoca a agregação de proteínas tóxicas.

Mesmo assim, os resultados identificam uma conexão molecular direta entre envelhecimento, acúmulo de proteínas anormais e neurodegeneração.

A EPS8 e as moléculas associadas à sinalização RAC podem, por isso, tornar-se alvos de futuras pesquisas terapêuticas.

Intervenções direcionadas a essa via poderiam, em tese, reduzir a agregação proteica e retardar a progressão da ELA, da doença de Huntington e de outras condições neurológicas associadas ao envelhecimento.

Referência:

Seda Koyuncu, Yaiza Dominguez-Canterla, Rafael Alis, Nassima Salarzai, Dunja Petrovic, Nuria Flames, David Vilchez. The aging factor EPS8 induces disease-related protein aggregation through RAC signaling hyperactivationNature Aging, 2025; 5 (9): 1750

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  • Comitê Científico Lifespan

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