Reduzir o consumo de proteína pode melhorar a saúde metabólica e ativar mecanismos associados à longevidade, segundo uma revisão de mais de 350 estudos com leveduras, moscas-das-frutas, roedores e seres humanos.
O trabalho, publicado em 31 de julho em um periódico da Cell Press, questiona recomendações generalizadas de aumento da ingestão proteica. Embora dietas ricas em proteína favoreçam a síntese muscular em atletas e pessoas fisicamente ativas, o excesso do nutriente pode trazer efeitos negativos para indivíduos sedentários.
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A revisão indica que a restrição de proteína melhora a forma como as células respondem aos nutrientes, reduz danos celulares e ajuda a preservar suas funções. Esses efeitos podem ocorrer mesmo sem diminuição do consumo total de calorias.
Benefícios independem da restrição calórica
Há décadas, estudos mostram que a restrição calórica pode prolongar a vida de diferentes organismos e reduzir o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento. Manter esse tipo de dieta, porém, costuma ser difícil.
Experimentos citados na revisão mostram que moscas e roedores viveram mais ao consumir menos proteína, mesmo sem ingerir menos calorias.
Ensaios clínicos com seres humanos também associaram dietas com menor teor proteico à redução de peso, gordura corporal e glicemia em jejum. Em alguns casos, os participantes consumiram mais calorias, o que reforça a hipótese de que os efeitos não dependem apenas do balanço energético.
Os dados em humanos, no entanto, se limitam a marcadores metabólicos. A extensão da longevidade foi observada principalmente em modelos animais.
FGF21 participa da resposta metabólica
Um dos principais mecanismos identificados envolve o fator de crescimento de fibroblastos 21, o FGF21.
Os níveis desse hormônio aumentam quando a ingestão de proteína é baixa. O FGF21 está relacionado ao aumento do gasto energético, ao controle da glicose e à redução da inflamação.
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Em estudos com camundongos, níveis elevados do hormônio foram associados a maior longevidade, com efeitos mais pronunciados nos machos. A restrição proteica também aumenta o FGF21 em seres humanos, embora ainda não esteja estabelecido se isso prolonga a vida.
Alguns aminoácidos têm maior impacto
A quantidade total de proteína não é o único fator relevante. A revisão destaca três aminoácidos: metionina, isoleucina e valina.
Quando consumidos em excesso, eles podem intensificar vias biológicas ligadas ao crescimento celular. Em pessoas sedentárias, essa sinalização pode favorecer inflamação, obesidade e disfunções metabólicas associadas ao envelhecimento.
A redução desses aminoácidos, por sua vez, foi relacionada à melhora da eficiência metabólica e à preservação celular nos estudos analisados.
Exercício modifica os efeitos da proteína
A atividade física altera a forma como o organismo utiliza os aminoácidos.
Atletas e pessoas ativas costumam consumir grandes quantidades de proteína sem apresentar os mesmos riscos metabólicos observados em indivíduos sedentários. Segundo os autores, o exercício direciona esses nutrientes para a recuperação e a remodelação muscular.
“Está absolutamente claro que a proteína traz benefícios ao crescimento muscular e à resposta ao exercício em indivíduos ativos”, afirma Dudley Lamming, autor correspondente da revisão e pesquisador da Universidade de Wisconsin–Madison.
Para ele, muitas pessoas sedentárias podem estar ingerindo mais proteína do que necessitam.
Recomendação deve considerar o perfil individual
Os pesquisadores não propõem a redução indiscriminada do consumo proteico.
Gestantes, atletas e alguns idosos podem ter necessidades mais elevadas. Em pessoas mais velhas, uma dieta rica em proteína combinada ao exercício pode ajudar a preservar a massa muscular.
Os autores defendem que as recomendações considerem idade, atividade física e condições individuais, em vez de adotar uma meta única para toda a população.
A revisão sugere que a relação entre restrição de proteína e longevidade envolve tanto a quantidade total do nutriente quanto a composição de aminoácidos da dieta. Os achados reforçam o potencial da estratégia para melhorar o metabolismo, mas ainda não demonstram que ela prolongue a vida humana.




