Exame de sangue para Alzheimer: teste pode substituir métodos invasivos

Comumente, o diagnóstico da doença de Alzheimer (DA) é feito por exclusão, ou seja, outras formas de doenças neurodegenerativas devem ser descartadas, o que pode atrasar o diagnóstico. Por isso, um novo exame de sangue para Alzheimer pode ser a chave para a detecção precoce da doença.

Publicado na revista Nature Medicine, o estudo conduzido pelo Barcelonaβeta Brain Research Center (BBRC) e pelo Hospital del Mar, liderado pelo neurologista Marc Suárez-Calvet, valida o uso de biomarcadores plasmáticos como ferramenta de triagem populacional e suporte diagnóstico na fase pré-clínica da doença.

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A importância do diagnóstico precoce do Alzheimer

Estima-se que mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, sendo o Alzheimer responsável por cerca de 60% a 70% dos casos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A fisiopatologia da DA envolve o acúmulo de placas extracelulares de β-amiloide e emaranhados intracelulares de tau hiperfosforilada, que precedem o comprometimento cognitivo em anos — ou até décadas.

No entanto, exames de neuroimagem avançada (como PET com traçadores amiloides) e análises de líquor via punção lombar, considerados padrões ouro na detecção da doença, são de difícil acesso, especialmente em regiões remotas e sistemas de saúde com recursos limitados.

Biomarcador p-tau217: precisão diagnóstica em um teste sanguíneo

A proteína tau fosforilada na posição 217 (p-tau217) demonstrou elevada acurácia na diferenciação entre Alzheimer e outras taupatias, mesmo em estágios iniciais. A novidade do estudo está em validar a quantificação desse biomarcador em amostras de sangue, por meio de plataformas automatizadas adaptáveis à rotina laboratorial convencional.

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O exame de sangue para Alzheimer mostrou-se eficaz para detectar alterações neuropatológicas em indivíduos com comprometimento cognitivo leve (CCL), ampliando significativamente o potencial de triagem e rastreamento da doença em ambientes de atenção primária.

Limiar duplo para maior confiabilidade diagnóstica

Os autores sugerem a adoção de dois pontos de corte (cutoffs) para interpretação dos níveis plasmáticos de p-tau217:

  • Valores baixos indicam baixa probabilidade de DA, com elevado valor preditivo negativo.

  • Valores altos sugerem risco aumentado de Alzheimer.

  • Casos intermediários devem ser encaminhados para exames complementares, como PET ou análise liquórica, evitando erros diagnósticos em zonas de incerteza.

Essa abordagem aumenta a sensibilidade e especificidade do teste, reduzindo falsos positivos e negativos, especialmente em idosos com mais de 80 anos ou com comorbidades que possam interferir nos níveis plasmáticos de proteínas, como doença renal crônica.

Avanços no diagnóstico do Alzheimer

A adoção de um exame de sangue para Alzheimer representa um avanço notável em termos de custo-efetividade e equidade em saúde. Dentre os principais benefícios:

  • Redução de custos com exames de imagem sofisticados;

  • Ampliação do acesso ao diagnóstico precoce em regiões periféricas e áreas com baixa cobertura especializada;

  • Descongestionamento de centros de referência, ao permitir que profissionais da atenção primária realizem uma triagem inicial baseada em biomarcadores confiáveis.

Estudos econômicos preliminares indicam que um exame de sangue como esse pode reduzir os custos diagnósticos pela metade, facilitando sua integração a políticas públicas de envelhecimento saudável e prevenção de demências.

Embora promissor, o teste de p-tau217 não substitui a avaliação clínica completa. Fatores como predisposição genética (ex: alelo APOE4), histórico familiar, testes neuropsicológicos e comorbidades devem ser considerados na interpretação dos resultados.

Pesquisas em andamento investigam a integração do exame em painéis de biomarcadores que incluam variáveis inflamatórias, metabólicas e genéticas, ampliando o escopo da medicina de precisão aplicada à neurodegeneração.

Referência:

Horie, Kanta et al. Plasma MTBR-tau243 biomarker identifies tau tangle pathology in Alzheimer’s disease. Nature medicine, 10.1038/s41591-025-03617-7. 31 Mar. 2025, doi:10.1038/s41591-025-03617-7

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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