É consenso que os animais de estimação trazem muitas alegrias para nossas vidas. Companheiros leais, os pets são capazes de proporcionar momentos de conexão profunda que aumentam nosso bem-estar. Mas qual a relação entre um pet e a nossa longevidade? A ciência está empenhada em descobrir os mecanismos por trás dessa correlação.
Pesquisas recentes dão conta de que os donos de pet possuem uma longevidade maior do que aqueles que não possuem nenhum companheiro animal. Segundo um estudo publicado no periódico American Heart Association, ter um bicho de estimação reduz a taxa de mortalidade de uma pessoa em 24%, um valor bastante expressivo.
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Uma das razões principais é o simples fato de os pets nos deixarem menos estressados. Isso porque acariciar ou brincar com os animais de estimação libera a ocitocina, um dos chamados “hormônios da felicidade”, essencial para aliviar a tensão.
Os donos de animais de companhia também possuem uma predisposição maior à atividade física. Cuidadores de cães, por exemplo, possuem grandes chances de se exercitar mais do que a média. Ainda que leve ou moderada, as caminhadas frequentes reduzem pressão arterial, colesterol e triglicerídeos, fatores que retardam o envelhecimento.
Cuidar de um pet também ajuda pessoas solitárias a se sentirem mais motivadas a manter uma rotina, o que impacta a longevidade. Isso é muito importante para idosos, que estatisticamente se queixam mais da solidão, sobretudo os viúvos.
Segundo experimentos feitos na pesquisa “Get Healthy, Get a Dog”, da Harvard Medical School, de 2015, os animais ajudam a promover uma maior sociabilidade entre humanos. Caminhar com um cachorro em parques ou lugares públicos, de acordo com os pesquisadores, pode gerar mais conversas com outras pessoas e aumentar a rede de apoio social.
Os pets fazem bem para o coração
Os benefícios não se reduzem a questões hormonais e psicológicas: pesquisas sugerem que ter um animal de estimação também ajuda na recuperação e na prevenção de doenças cardiovasculares.
Um estudo recente com donos de gatos, publicado no Journal of vascular and interventional neurology, revelou que os tutores têm menor risco de morte por doenças cardiovasculares devido ao efeito calmante dos animais.
Os cães também ajudam nesse sentido. Outra pesquisa, publicada também no American Heart Association, usou dados do Registro Nacional de Pacientes da Suécia para verificar que aqueles pacientes que viviam sozinhos com seus cães e sofreram ataque cardíaco tiveram um risco 33% menor de morrer após a hospitalização.
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Ainda de acordo com este estudo, no caso de derrames, o risco de morte foi 27% menor entre os donos de cães. A pesquisa também encontrou indícios de que esses pacientes tinham menor probabilidade de sofrer novos ataques cardíacos, sugerindo que a presença de um animal pode ter um efeito protetor na saúde do coração.
Dog Aging Project: a longevidade canina também importa
Entender os mecanismos biológicos que comandam o envelhecimento humano não é tão simples. Ainda assim, cientistas do mundo todo estão envolvidos em pesquisas para descobrir as melhores estratégias que ajudam a modular os marcadores do envelhecimento e, dessa forma, atrasar o declínio associado à idade.
Uma frente de pesquisa envolve justamente os cães de companhia: trata-se do Dog Aging Project, uma iniciativa que busca compreender melhor o processo de envelhecimento canino e seu impacto na saúde e longevidade. Fundado por Matt Kaeberlein, Daniel Promislow e Kate Creevy, o projeto está focado em um estudo longitudinal que acompanha milhares de cães ao longo de suas vidas, avaliando fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida que influenciam no envelhecimento.
O estudo inclui o uso de ferramentas de última geração para monitoramento da saúde dos cães, como exames genéticos e análise de dados de comportamento e saúde ao longo do tempo. Matt Kaeberlein, um dos cofundadores e cientista, acredita que o estudo da longevidade canina pode trazer pistas importantes sobre o envelhecimento humano, já que cães e humanos compartilham semelhanças biológicas e convivem em ambientes semelhantes, incluindo exposição a fatores como dieta, poluição e ritmo de vida urbano.
Além disso, o projeto explora o potencial de terapias para prolongar a saúde dos cães, com foco em intervenções como o uso de rapamicina, um medicamento comumente estudado em contextos de envelhecimento, que demonstrou potencial para aumentar a saúde e longevidade em algumas espécies.
Como aproveitar ao máximo a relação com os pets?
Para tirar o máximo dos benefícios de ter um pet, incluindo o aumento da longevidade, é fundamental que os tutores dediquem um tempo de qualidade com ele. Brincadeiras, passeios ao ar livre, viagens e até descansos compartilhados podem fortalecer o vínculo entre dono e animal, além de trazer ganhos para a saúde e o bem-estar de ambos.
É uma relação tão simples quanto gratificante: atividades em conjunto e demonstrações de carinho, como coçar atrás das orelhas ou dar atenção especial ao pet, ajudam a construir uma conexão poderosa com nossos animais de companhia. A ciência comprova que esse relacionamento afetuoso contribui para uma vida mais feliz e longeva.


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