Pesquisadores da Duke-NUS Medical School, em Singapura, descobriram que a proteína interleucina-11 (IL11) está intimamente associada ao lifespan e desempenha um papel fundamental no acúmulo de gordura e na perda de massa muscular, dois indicadores-chave do envelhecimento.
Além disso, a equipe demonstrou, em modelos pré-clínicos, que uma terapia experimental anti-IL11 não só combate esses efeitos negativos como também aumenta a longevidade. Esses resultados foram publicados em um artigo na Nature.
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A relação entre a proteína IL11 e o lifespan
A pesquisa mostrou que, conforme envelhecemos, os níveis de IL11 aumentam significativamente em vários órgãos, promovendo o acúmulo de gordura abdominal e no fígado, ao mesmo tempo em que reduz a massa e a força muscular.
Essas são condições diretamente associadas ao envelhecimento humano e à perda de funcionalidade física.
A professora assistente Anissa Widjaja, autora principal do estudo, explicou como a descoberta surgiu por acaso durante um outro projeto de pesquisa. “Quando vimos que os níveis de IL11 aumentavam com a idade, sabíamos que estávamos diante de algo importante”, comentou.
Terapia anti-IL11: como funciona?
A equipe de cientistas, então, testou uma terapia experimental que inibe a ação da IL11. Os resultados foram promissores: o tratamento reverteu a tendência de acúmulo de gordura branca e promoveu o aumento de gordura marrom, que é benéfica ao corpo por ajudar a queimar calorias e manter a temperatura corporal.
Além disso, os animais tratados com a terapia focada na proteina apresentaram melhora na função muscular, saúde geral e um aumento do lifespan (ou expectativa de vida) de até 25%.
Stuart Cook, professor de Medicina Cardiovascular na Duke-NUS e coautor do estudo, destacou o impacto dessa descoberta. “Nossa esperança é que, no futuro, a terapia anti-IL11 possa ser amplamente utilizada para ajudar as pessoas a viverem de forma mais saudável por mais tempo”, afirmou.
No entanto, o pesquisador reconhece que ainda existem barreiras regulatórias para a aprovação de tratamentos voltados especificamente ao envelhecimento.
Novas formas de encarar (e tratar) o envelhecimento
Diferentemente de outros medicamentos conhecidos por combater os marcadores do envelhecimento, como a metformina e a rapamicina, que atuam em vias metabólicas específicas, a terapia anti-IL11 bloqueia múltiplos mecanismos de sinalização que se tornam disfuncionais com o passar dos anos.
Isso faz dela uma ferramenta mais abrangente para prevenir problemas de saúde associados ao envelhecimento, como doenças cardiometabólicas, perda de massa muscular e fragilidade.
Além das melhorias observadas externamente, os cientistas também relataram que a terapia retardou o encurtamento dos telômeros — uma das marcas do envelhecimento celular — e preservou a saúde das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células.
Repercussões globais
Essa descoberta é relevante para países como Singapura, onde a população está envelhecendo rapidamente. De acordo com o reitor da Duke-NUS, Thomas Coffman, a terapia anti-IL11 tem o potencial de transformar a saúde pública ao prolongar os anos de vida saudável, reduzindo a fragilidade e melhorando a saúde cardiometabólica de adultos mais velhos.
A pesquisa contou com a colaboração de instituições internacionais, como o National Heart Centre Singapore, o Max Delbruck Centre for Molecular Medicine, na Alemanha, e a University of Melbourne, na Austrália. O estudo foi financiado por diversas fontes, incluindo o Conselho Nacional de Pesquisa Médica do Ministério da Saúde de Singapura.
Referência:
Widjaja, A.A., Lim, WW., Viswanathan, S. et al. Inhibition of IL-11 signalling extends mammalian healthspan and lifespan. Nature 632, 157–165 (2024). https://doi.org/10.1038/s41586-024-07701-9

