Um estudo recente publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism revela uma possível ligação entre a exposição a metais pesados e o envelhecimento ovariano prematuro em mulheres de meia-idade.
Essa condição, caracterizada por um menor número de óvulos em comparação com os pares, pode levar a desafios de fertilidade e está associada a vários problemas de saúde, incluindo ondas de calor e osteoporose.
A pesquisa focou em 549 mulheres se aproximando da menopausa, analisando suas amostras de urina em busca de vestígios de metais pesados como arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.
Os resultados indicaram que mulheres com níveis elevados desses metais na urina apresentaram níveis mais baixos do hormônio Anti-Mülleriano (AMH), um marcador usado para estimar a contagem de óvulos restantes nos ovários.
Sung Kyun Park, um dos autores do estudo, enfatizou a importância de mais pesquisas, especialmente em demografias mais jovens, para compreender completamente como a exposição química afeta o envelhecimento ovariano e a fertilidade.
Metais pesados como arsênio, cádmio e mercúrio são classificados como produtos químicos desreguladores endócrinos (EDCs), que podem imitar, bloquear ou interferir nas funções hormonais do corpo.
Esses produtos químicos são ubíquos, encontrados no ambiente, alimentos, produtos de cuidado pessoal e vários bens manufaturados, e têm sido relacionados a uma variedade de problemas de saúde, incluindo problemas de fertilidade, endometriose, puberdade precoce, certos tipos de câncer, diabetes e obesidade.
Como se proteger contra metais tóxicos?
A exposição a metais como arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo apresenta riscos significativos para a saúde, incluindo desequilíbrios hormonais e problemas de fertilidade.
Embora estejam espalhados pelo ambiente, em alimentos e vários produtos de consumo, é possível adotar algumas estratégias que ajudam a minimizar essa exposição e proteger a saúde:
Cuidado ao consumir carne de peixe: certas espécies acumulam níveis mais elevados de mercúrio. Limite o consumo de peixes com alto teor de mercúrio, como atum fresco, tubarão, peixe-espada e garoupa. Opte por opções mais saudáveis, como salmão, sardinha e truta.
Teste a água potável: metais pesados podem contaminar a água potável. Utilize um serviço de teste de água certificado para verificar a presença de contaminantes e considere a instalação de um filtro de água que remova especificamente metais pesados.
Prefira alimentos orgânicos e de produtores locais: pesticidas e solo contaminado podem levar ao acúmulo de metais pesados em frutas e vegetais. Sempre que possível, escolha produtos orgânicos e alimentos de origem local para reduzir sua exposição.
Cuidado com as panelas: alguns utensílios de cozinha, especialmente panelas antiaderentes mais antigas ou mal revestidas, podem liberar metais pesados nos alimentos. Utilize utensílios de aço inoxidável, ferro fundido ou vidro e evite armazenar alimentos em recipientes plásticos que possam conter produtos químicos nocivos.
Use cosméticos naturais: muitos cosméticos e produtos de cuidado pessoal contêm metais pesados como contaminantes. Opte por produtos com menos ingredientes e aqueles comercializados como livres de metais pesados.
Referência:
Ding, Ning et al. “Heavy Metals and Trajectories of Anti-Müllerian Hormone During the Menopausal Transition.” The Journal of clinical endocrinology and metabolism, dgad756. 25 Jan. 2024, doi:10.1210/clinem/dgad756

