Pesquisadores da Universidade Ritsumeikan, no Japão, descobriram que o treino de resistência, como musculação e calistenia, pode ser a chave para prevenir o envelhecimento da pele.
Em um estudo com mulheres japonesas de meia-idade, exercícios aeróbicos e de resistência melhoraram a elasticidade e a estrutura da pele. Porém, apenas o treino de resistência estimulou a espessura da pele, um fator que naturalmente se reduz com a idade.
O treino de resistência também aumentou a atividade de genes responsáveis por preservar a saúde da derme, que é a camada de tecido vivo da pele. Esse é o primeiro estudo a demonstrar que diferentes tipos de exercícios, como o treino de resistência, têm impactos variados no envelhecimento da pele.
Importância da pele para a saúde
A pele, o maior órgão do corpo, é uma barreira essencial contra agentes patogênicos externos, tais como bactérias e vírus. Ela também desempenha um papel importante na regulação de hormônios que respondem a danos e estresse.
Porém, com o passar o tempo, a derme vai perdendo sua capacidade de regeneração e proteção, o que é absolutamente normal. Esse desgaste é causado por fatores internos e externos, como inflamação e exposição solar.
Este novo estudo, portanto, mostra que a adoção de um estilo de vida saudável, com prática regular de atividade física, pode preservar a pele e, assim, estimular a saúde do organismo, mantendo-o protegido de doenças.
Como o treino de resistência afeta a pele
Embora seja conhecido que a atividade física possa retardar o envelhecimento da pele, não se sabia quais formas de exercício seriam mais eficazes. Diante disso, Shu Nishikori e a equipe da Universidade Ritsumeikan resolveram investigar os impactos do exercício aeróbico e do treinamento de resistência na pele.

Durante 16 semanas, 61 mulheres japonesas de meia-idade, saudáveis mas sedentárias, foram observadas enquanto praticavam exercício aeróbico e treinamento de resistência. O componente de treinamento de resistência incluía uma série de exercícios com pesos, enquanto o componente aeróbico envolvia pedalar em uma bicicleta estacionária por 30 minutos.
Nishikori e sua equipe descobriram que o treinamento aeróbico reduziu significativamente o peso e o índice de massa corporal das participantes, e melhorou o consumo máximo de oxigênio. Já o treinamento de resistência foi responsável pelo aumento da massa magra e a força muscular.
As duas modalidades de exercícios melhoraram a estrutura e a elasticidade da pele. No entanto, somente o treinamento de resistência aumentou a espessura da pele.
Ao examinar o plasma sanguíneo das participantes, os pesquisadores descobriram que o treinamento de resistência alterou a atividade de um gene conhecido como biglicano, crucial para a saúde da pele.
A pesquisa também revelou que o treinamento de resistência diminuiu a atividade do CCL28, um marcador para a severidade da dermatite atópica. Os pesquisadores sugerem que o treinamento de resistência melhora a espessura da derme ao reduzir os níveis circulantes de CCL28.
Para confirmar esse mecanismo, são necessários estudos adicionais com animais que modulam os fatores inflamatórios circulantes.
Esse estudo se soma a outros que já examinaram o impacto de diferentes tipos de exercícios na saúde de idosos, oferecendo novas perspectivas para a prevenção do envelhecimento da pele.
Referência:
Nishikori S, Yasuda J, Murata K, Takegaki J, Harada Y, Shirai Y, Fujita S. Resistance training rejuvenates aging skin by reducing circulating inflammatory factors and enhancing dermal extracellular matrices. Sci Rep. 2023 Jun 23;13(1):10214. doi: 10.1038/s41598-023-37207-9. PMID: 37353523; PMCID: PMC10290068.


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