A relação entre alimentação e envelhecimento saudável já é bem estabelecida na epidemiologia. Padrões como a dieta mediterrânea vêm sendo associados, há décadas, à menor incidência de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

O que ainda está em construção é o entendimento mais preciso de como esses efeitos acontecem no nível celular.

Um novo estudo começa a preencher essa lacuna ao sugerir que a dieta pode influenciar diretamente moléculas envolvidas na regulação do envelhecimento.

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Estimulando moléculas associadas à longevidade

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da USC Leonard Davis School of Gerontology identificou um possível mecanismo que ajuda a explicar por que a dieta mediterrânea está associada a um envelhecimento mais saudável.

Publicado no periódico Frontiers in Nutrition, o trabalho mostra que pessoas que seguem esse padrão alimentar apresentam níveis mais elevados de duas microproteínas produzidas pelas mitocôndrias — humanin e SHMOOSE — já relacionadas à proteção contra doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.

Para investigar essa relação, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de adultos mais velhos com diferentes níveis de adesão à dieta mediterrânea.

A partir desses dados, eles compararam:

  • O padrão alimentar dos participantes;
  • Os níveis das microproteínas humanin e SHMOOSE;
  • Indicadores de estresse oxidativo no organismo.

A análise também permitiu observar a associação entre alimentos específicos e esses marcadores biológicos.

Azeite de oliva, peixe e leguminosas apareceram ligados a níveis mais altos de humanin, enquanto maior consumo de azeite e menor ingestão de carboidratos refinados se associaram ao aumento de SHMOOSE.

Dieta pode influenciar diretamente processos ligados ao envelhecimento

Os resultados indicam que maior adesão à dieta mediterrânea está associada a um perfil biológico mais favorável ao envelhecimento saudável.

Entre os principais achados:

  • Aumento significativo das microproteínas humanin e SHMOOSE;
  • Redução de marcadores de estresse oxidativo, um dos principais fatores envolvidos no envelhecimento celular;
  • Indícios de que essas microproteínas ajudam a proteger o sistema cardiovascular e o cérebro.

Os pesquisadores também identificaram uma possível interação entre a humanin e uma enzima ligada à produção de radicais livres, sugerindo um mecanismo adicional de proteção contra danos celulares.

Na prática, os dados reforçam que a dieta mediterrânea não atua apenas de forma indireta — por exemplo, ajudando a controlar peso ou colesterol —, mas pode influenciar diretamente processos biológicos centrais do envelhecimento.

Embora o estudo ainda não estabeleça uma relação de causa e efeito, ele aponta para uma direção relevante: a de que padrões alimentares podem modular moléculas específicas ligadas à longevidade, abrindo caminho para estratégias mais precisas de nutrição voltadas à prevenção de doenças e à manutenção da saúde ao longo da vida.

Referência:

Vicinanza, Roberto et al. “Mediterranean diet adherence is associated with mitochondrial microproteins Humanin and SHMOOSE; potential role of the Humanin-Nox2 interaction in cardioprotection.” Frontiers in nutrition vol. 12 1727012. 10 Mar. 2026, doi:10.3389/fnut.2025.1727012

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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