Qualquer atividade física regular, em qualquer idade, está ligada a uma melhor função cerebral mais tarde na vida, incluindo a prevençÃo da perda de memória. Mas pesquisadores da University College London descobriram que manter uma rotina de exercícios durante a vida adulta parece ser ainda melhor para preservar a acuidade cognitiva e a memória. Os resultados deste estudo de longo prazo foram publicados no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.
O exercício físico está associada a riscos menores de demência, perda de memória, declínio cognitivo e perda da acuidade mental na vida adulta. Mas não se sabe se o tempo, a frequência ou o tipo da atividade física ao longo da vida pode ser a chave para manter as habilidades cognitivas da vida adulta.
Os pesquisadores estavam particularmente interessados em saber se a atividade física poderia ser mais benéfica em períodos “sensíveis” específicos ao longo da vida, ou em vários períodos de tempo.
Metodologia do estudo
Para tentar descobrir, eles analisaram a força das associações entre uma série de testes cognitivos aos 69 anos e práticas de atividade física aos 36, 43, 53, 60-64 e 69 anos em 1.417 pessoas (53% mulheres) que participaram do estudo britânico de coorte de nascimentos de 1946.
Os níveis de atividade física foram categorizados em: inativo; moderadamente ativo (1–4 vezes/mês); mais ativos (5 ou mais vezes/mês) e somados em todas as 5 avaliações para criar uma pontuação total variando de 0 (inativo em todas as idades) a 5 (ativo em todas as idades).
Cerca de 11% dos participantes foram fisicamente inativos em todos os 5 momentos; 17% estavam ativos em um; 20% estavam ativos aos dois e três; 17% estavam ativos em quatro e 15% em todos os cinco.
O desempenho cognitivo aos 69 anos foi avaliado por meio do validado ACE-111, que testa atenção e orientação, fluência verbal, memória, linguagem e função visuoespacial, além de testes de memória verbal (teste de aprendizado de palavras) e velocidade de processamento (velocidade de busca visual).
Fatores associados a um risco aumentado de declínio cognitivo – saúde cardiovascular e mental e portador do gene APOE-ε4 – também foram avaliados para ver se eles modificariam quaisquer associações observadas.
Resultados promissores
A análise dos resultados mostrou que praticar exercício físico em todos os 5 momentos foi associado a um maior desempenho cognitivo, menor perda de memória verbal e maior velocidade de processamento aos 69 anos.
Os efeitos foram semelhantes em todas as idades adultas e para aqueles que eram moderadamente e mais fisicamente ativos, “sugerindo que ser fisicamente ativo a qualquer momento na idade adulta, mesmo que apenas uma vez por mês, está associado a uma cognição mais alta”, afirmam os pesquisadores.
Segundo eles, esses resultados sugerem que o início e a manutenção da atividade física durante a vida adulta podem ser mais importantes do que o momento ou a frequência da atividade física em um período específico.
Este é um estudo observacional e, como tal, não pode estabelecer a causa, e os pesquisadores reconhecem várias limitações em suas descobertas. O estudo incluiu apenas participantes brancos e teve uma taxa de atrito desproporcionalmente alta entre aqueles que eram socialmente desfavorecidos.
Nenhuma informação estava disponível sobre a intensidade, duração ou aderência do exercício.
Mas eles concluem: “Nossas descobertas apoiam diretrizes para recomendar a participação em qualquer atividade física na idade adulta e fornecem evidências de que encorajar adultos inativos a serem mais ativos e encorajar adultos já ativos a manter a atividade pode conferir benefícios à cognição na vida adulta”.
Referência:
James S-N, et al “Timing of physical activity across adulthood on later-life cognition: 30 years follow-up in the 1946 British birth cohort”
Publicado no J Neurol Neurosurg Psychiatry 2023; DOI: 10.1136/jnnp-2022-329955.

