O Brasil está dando um passo pioneiro na ciência da longevidade canina com o lançamento do Programa Avançado de Mitigação do Envelhecimento Canino (PAMEC). Liderado pela startup de biotecnologia PetMoreTime em parceria com a Federação Nacional de Entidades Militares Estaduais (Feneme) e o Conselho Nacional dos Comandantes Gerais (CNCG), o projeto é o primeiro do gênero no país e busca melhorar a qualidade de vida de cães, sobretudo os que desempenham funções profissionais, como os das polícias militares.
Inspirado no projeto Dog Aging Project, dos Estados Unidos, o PAMEC adota uma abordagem holística baseada em protocolos avançados de intervenção e tem previsão de durar quatro anos. Serão estudados 80 cães na meia-idade canina, entre 7 e 8 anos, com peso uniforme de cerca de 20 quilos, garantindo resultados comparáveis.
Ciência e tecnologia no centro do projeto
O PAMEC utilizará uma combinação de metodologias e intervenções para avaliar a longevidade dos cães, tais como:
- Protocolos de atividade física: programas adaptados para promover mobilidade e prevenção de lesões.
- Nutrição individualizada: dietas formuladas para otimizar indicadores metabólicos.
- Uso de medicamentos inovadores: o estudo emprega rapamicina e dapagliflozina, substâncias que têm demonstrado melhorar a saúde metabólica e cardiovascular em pesquisas anteriores.
- Monitoramento com coleiras inteligentes: esses dispositivos registram dados vitais, qualidade do sono e identificam sinais de dores sutis, como as causadas por osteoartrite.
- Análises epigenéticas: para avaliar os efeitos das intervenções na expressão gênica ao longo do envelhecimento.
Marcello Rachlyn, CEO e cofundador da PetMoreTime, destacou a relevância do projeto. “O programa aborda mais o conceito de healthspan, da melhora de qualidade de vida, do que de lifespan, de aumentar a expectativa de vida. Como acontece com seres humanos, não adianta viver mais se não for com muita saúde”, disse em entrevista exclusiva ao jornal O Globo.
Segundo ele, o interesse da Polícia Militar se deu pela possibilidade de prolongar a performance e o bem-estar de cães altamente treinados.
Evolução nos cuidados com cães
A veterinária Priscila Naurath, chefe da seção médica veterinária do Batalhão de Ações com Cães (BAC), também ressaltou a importância do projeto para a corporação. “Nossos cães já fazem check-up a cada dois meses, realizam todos os exames e vacinas, recebem alimentação de ótima qualidade. Mas são animais que vão a áreas de desastre ou conflito, precisam atravessar terrenos perigosos, estão sujeitos a lesões. Eles nos prestam um serviço inestimável e nos interessa que tenham o melhor disponível”, afirmou.
O uso de medicamentos como a rapamicina — conhecida por fortalecer o sistema imunológico e reduzir o estresse oxidativo — e dapagliflozina — empregada no tratamento de diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca em humanos — é um dos destaques do estudo.
Além disso, a tecnologia das coleiras inteligentes promete transformar o monitoramento da saúde animal, detectando dores e condições como osteoartrite com mais precisão.
Longevidade humana também será beneficiada
Os resultados do Dog Aging Project nos Estados Unidos, que inspiraram o PAMEC, indicam que cães fisicamente ativos e que vivem em ambientes sociais têm risco reduzido de desenvolver “demência canina”.
Para Matt Kaeberlein, coordenador científico do Dog Aging Project e do PAMEC, o estudo também contribui para entender o envelhecimento humano. “Cães compartilham conosco o ambiente em que vivem, para o bem e para o mal. Por isso, estudos que digam respeito à saúde deles importam também para os humanos”, explicou em entrevista ao O Globo.
O PAMEC representa um marco inédito na ciência veterinária brasileira, combinando inovações tecnológicas, avanços terapêuticos e pesquisa de ponta para melhorar a qualidade de vida de cães. As expectativas são altas não apenas para beneficiar os cães participantes, mas também para abrir novos caminhos na compreensão do envelhecimento humano e animal.
Fonte: O Globo.


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