Os centenários são indivíduos que vivem até os 100 anos ou mais. Embora pareça um feito um tanto quanto raro, espera-se que o número global de centenários se multiplique em até 5 vezes entre 2022 e 2050. Mas quais fatores determinam uma vida tão longeva em grupos específicos de pessoas?
Em um novo estudo, pesquisadores examinaram biomarcadores específicos associados aos centenários, por meio de testes sanguíneos. O estudo, conduzido com uma grande coorte de participantes nascidos entre 1893 e 1920, oferece insights valiosos sobre os fatores que contribuem para atingir a idade de 100 anos.
Centenários têm biomarcadores específicos
A pesquisa se concentrou em doze biomarcadores baseados em sangue relacionados a vários aspectos da saúde, incluindo metabolismo, função hepática e renal, inflamação, anemia e nutrição.
Esses biomarcadores foram medidos em participantes com idades entre 64 e 99 anos, fornecendo uma visão abrangente de seu estado de saúde nos anos que antecederam seus marcos centenários.
Uma das descobertas mais significativas do estudo foi a associação entre os níveis específicos de biomarcadores e a probabilidade de se tornar um centenário. Níveis mais elevados de colesterol total e ferro foram relacionados a uma maior chance de atingir a idade de 100 anos.
Por outro lado, níveis mais baixos de glicose, creatinina, ácido úrico e certas enzimas hepáticas também foram associados à longevidade excepcional.
Mas o que se mostrou uma das revelações mais importantes desta pesquisa foi que os centenários apresentaram perfis de biomarcadores relativamente consistentes, sem flutuações.
Isso sugere que esses indivíduos tinham características de biomarcadores semelhantes já aos 65 anos, mais de uma década antes de celebrar seus 100 anos.
Essa consistência destaca o possível papel da genética e de fatores de estilo de vida refletidos nesses biomarcadores na contribuição para uma vida mais longeva e com saúde.
Implicações para pesquisas futuras
Embora este estudo lance luz sobre a importância de biomarcadores específicos para atingir a idade de 100 anos, também destaca a complexidade da longevidade excepcional.
Fatores genéticos e de estilo de vida provavelmente interagem de maneiras intrincadas que exigem investigação adicional. Além disso, as descobertas desafiam a sabedoria convencional, já que alguns níveis de biomarcadores associados à longevidade excepcional vão contra as diretrizes clínicas.
Em resumo, a pesquisa representa um passo importante em nossa compreensão da longevidade excepcional. Ao identificar associações-chave de biomarcadores e os perfis consistentes de centenários, ela oferece uma promissora via para estudos futuros.
Referência:
Murata, S., Ebeling, M., Meyer, AC et al. Perfis de biomarcadores sanguíneos e longevidade excepcional: comparação de centenários e não centenários em um acompanhamento de 35 anos da coorte sueca AMORIS. GeroScience (2023). https://doi.org/10.1007/s11357-023-00936-w

