Microbioma saudável pode prevenir infecções hospitalares graves

Pacientes gravemente enfermos têm mais risco de contrair infecções potencialmente letais durante sua permanência na unidade de terapia intensiva ou no hospital após a internação na UTI – aumentando significativamente o risco de morte. Uma saída, no entanto, pode ser a manutenção de um microbioma saudável, ou seja, a própria defesa de nosso organismo.

“Apesar do uso de antibióticos, as infecções hospitalares são um grande problema clínico que persiste como um grande problema para o qual não temos boas soluções”, afirma Dr. Braedon McDonald, médico de terapia intensiva do Foothills Medical Center (FMC) e professor assistente na Cumming School of Medicine (CSM). 

“Abordamos essa questão de um ângulo diferente. Observamos a defesa natural do corpo contra infecções para entender melhor por que algumas pessoas são mais suscetíveis a essas infecções letais”.

O estudo envolveu 51 pacientes recém-admitidos na unidade de terapia intensiva (UTI) da FMC. Os pacientes foram estudados durante a primeira semana de doença crítica aguda. A pesquisa mostrou que o microbioma intestinal saudável e a imunidade sistêmica trabalham juntas como um “metassistema” dinâmico, no qual problemas com micróbios intestinais e disfunção do sistema imunológico estão associados a taxas significativamente aumentadas de infecções hospitalares.

“O sinal que vimos em nossa pesquisa é que uma família de bactérias, que vive naturalmente no intestino, parece ser importante para direcionar o sistema imunológico”, diz Jared Schlechte, primeiro autor do estudo. “No entanto, durante uma doença crítica, o microbioma é danificado, permitindo que essas bactérias ruins comecem a assumir o controle”.

O estudo publicado na Nature Medicine descobriu que os pacientes que experimentaram um aumento anormal no crescimento dessa bactéria comum, chamada de bloom, corriam o maior risco de infecções graves.

“Essa informação é importante porque nos dá um novo caminho para começar a pensar não apenas em maneiras de tratar infecções, mas também em um tratamento potencial para preveni-las”, diz McDonald. “As descobertas sugerem que, se quisermos combater a infecção, não podemos apenas atacar essas bactérias prejudiciais isoladamente e o sistema imunológico isoladamente. Nós realmente precisamos ter uma visão mais holística de como as coisas estão funcionando”. 

Como próximo passo, McDonald e a equipe planejam lançar um ensaio clínico randomizado e controlado – baseado em uma abordagem de medicina de precisão que se baseia na terapia com probióticos e utiliza várias bactérias diferentes projetadas para atingir especificamente as bactérias identificadas no estudo. As pessoas que concordarem em participar receberão microbiomas modificados.

“O que estamos tentando fazer é restaurar o mecanismo normal que funciona quando estamos saudáveis ​​e aproveitar isso para ajudar a proteger as pessoas contra infecções”, diz McDonald.

Referência:

Schlechte, Jared et al. “Dysbiosis of a microbiota-immune metasystem in critical illness is associated with nosocomial infections.” 

Publicado na Nature medicine, 10.1038/s41591-023-02243-5. 9 Mar. 2023, doi:10.1038/s41591-023-02243-5.

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  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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