O diabetes é uma das doenças mais comuns entre a população brasileira, particularmente entre os idosos, com um total de 16,8 milhões de pessoas afetadas.
Mais do que um problema brasileiro, o diabetes é também uma questão global: dados do International Diabetes Federation Diabetes Atlas avaliam que, em 2019, o gasto global com essa doença foi de USD 760 bilhões.
Leia mais: Além de diabetes, conheça outras doenças associadas à idade
Consciente da urgência desse problema de saúde, uma equipe de pesquisadores da Universidade Metropolitana de Tóquio conduziu um estudo que revela descobertas notáveis sobre a possível causa do diabetes relacionado à idade.
Como o estudo foi realizado?
O estudo, liderado pelo Professor Shuang-Qin Yi, concentrou-se na perda de células das ilhotas pancreáticas em indivíduos que não apresentavam problemas pancreáticos prévios.
O pâncreas desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de açúcar no sangue, principalmente através da secreção do hormônio insulina. As ilhotas de Langerhans, minúsculas regiões do pâncreas, abrigam células produtoras desse hormônio, representando apenas cerca de 1% de todas as células no pâncreas.
Portanto, qualquer alteração nessas células pode ter um impacto significativo na saúde.
Perda de células beta estimula o diabetes
Os cientistas conduziram uma análise minuciosa de seções pancreáticas de cadáveres de pessoas sem histórico de doenças pancreáticas, cujas idades variavam entre 65 e 104 anos.
Sob o microscópio, eles observaram uma tendência de diabetes notável entre os idosos: uma perda significativa de células beta produtoras de insulina.
Leia mais: Jejum intermitente pode ser a chave para reverter o diabetes
As células beta desempenham um papel vital na produção de insulina, e a diminuição acentuada dessas células nas ilhotas pancreáticas foi associada à perda geral de células nessas estruturas.
De maneira notável, a proporção de células beta pareceu diminuir consideravelmente em indivíduos que apresentaram perda de células das ilhotas em comparação com outros tipos de células.
Além disso, os resultados indicaram que as mulheres eram mais propensas a experimentar uma perda acentuada de células das ilhotas em comparação com os homens.
Esse achado está alinhado com dados da International Diabetes Foundation de 2021, que destacaram uma incidência maior de diabetes em mulheres com mais de 70 anos, revertendo a tendência observada em indivíduos com menos de 70 anos.
Lesões pancreáticas: o gatilho inicial
As perdas celulares identificadas nas ilhotas também se mostraram correlacionadas com lesões microscópicas no pâncreas, conhecidas como neoplasias intraepiteliais pancreáticas (PanIN).
Isso levanta a possibilidade de uma relação entre essas lesões e a perda de células das ilhotas.
Essas descobertas sugerem que a perda de células das ilhotas, em particular as células beta, pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento do diabetes relacionado à idade.
Uma compreensão mais profunda desse fenômeno pode abrir caminho para tratamentos preventivos específicos, com foco em retardar a diminuição do número de células beta em idosos.
Referência:
Li, Rujia et al. “A new histopathological phenomenon: Pancreatic islet cell loss in the elderly population.” Digestive and liver disease : official journal of the Italian Society of Gastroenterology and the Italian Association for the Study of the Liver, S1590-8658(23)01069-1. 7 Dec. 2023, doi:10.1016/j.dld.2023.11.031

