O processo de envelhecimento não é rígido. Envelhecer é inevitável, mas a velocidade e as consequências que derivam desse processo podem ser flexíveis. Isso depende de muitos fatores, e principalmente do estilo de vida levado no decorrer dos anos.
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Ainda existem muitas perguntas a serem solucionadas quando o assunto é o envelhecimento. Os pesquisadores precisam ser um pouco como Sherlock Holmes, de certa forma — detetives de longevidade, tentando desmascarar os processos que aceleram o envelhecimento.
O que se sabe é que existe uma gama de processos metabólicos que se tornam menos eficientes ao longo da vida, antecipando o aparecimento de doenças crônicas.
São diversos processos que saem do eixo, e um dos mais fascinantes é o processo de autofagia. O comprometimento deste processo é considerado um dos grandes marcadores do envelhecimento (em inglês: hallmarks of aging).
Como a autofagia celular ocorre?
A autofagia entrega componentes celulares aos lisossomos para serem degradados. Com isso, qualquer componente celular que não esteja atuando corretamente, ou que tenha alguma função debilitada, é decomposto.
Ela nos protege e é incrivelmente perfeccionista. E assim deve ser. Precisamos dessa característica para garantir uma reciclagem celular que assegure a homeostase e manutenção dos nossos tecidos e sistemas. Que responsabilidade!
E como esse processo está relacionado com o envelhecimento?
A autofagia perde seu perfeccionismo no decorrer da vida, e portanto há um declínio no seu padrão 5 estrelas de atuar. É aqui que está o problema. Com um processo autofágico ineficaz, o envelhecimento aumenta sua velocidade, diminuindo a qualidade de vida do ser humano.
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A conclusão: abrem-se portas para o aparecimento das doenças crônicas que causam tanto sofrimento às pessoas: Alzheimer, Parkison, câncer e doenças cardiovasculares são alguns exemplos.
Tudo na vida é uma questão de equilíbrio. E com a autofagia não seria diferente. Ainda é muito cedo para simplesmente dizer “quanto mais autofagia, melhor”. O que os estudos apontam é para a modulação desse processo. Nem tanto à terra, nem tanto ao mar.
Alguns ativos têm sido estudados em modelos animais que parecem ajudar nessa modulação, como a Urolitina A e a Espermidina. Mas ainda não há estudos clínicos robustos em humanos, e, portanto, não existe padrão de segurança ao consumir estes ativos em forma de suplemento. Aguardemos os cientistas.
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Uma boa notícia é que a prática de exercícios físicos parece ter uma boa influência na modulação da autofagia. Aqui está uma prática acessível e simples, a que todos nós podemos aderir. Exercício físico é sempre bem-vindo, em qualquer idade. Porém, pensando na autofagia, ele torna-se ainda mais importante a partir da idade adulta.
Mantenha-se ativo. Leve um estilo de vida saudável. Desafie-se. Construa a sua saúde desde cedo, para que o seu processo de envelhecimento seja o mais harmônico e tranquilo possível. Cuidar da autofagia é uma das maneiras de se concretizar isso.
Enquanto ainda temos muitas perguntas, os estudos vão sendo feitos para desvendar as respostas. Até lá, levar um estilo de vida saudável é algo que todos podemos fazer.
Referência:
Autophagy in healthy aging and disease. Nat Aging. 2021;1(8):634-650. doi:10.1038/s43587-021-00098-4


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