Consumo de álcool pode acelerar envelhecimento biológico, diz estudo

Um novo estudo realizado com participantes do Framingham Heart Study, uma pesquisa de longo prazo sobre saúde cardíaca, trouxe descobertas importantes sobre o impacto do consumo de álcool na evolução do envelhecimento biológico.

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Os resultados, que foram publicados recentemente no periódico científico Aging, destacam a relação entre determinados tipos de bebidas alcoólicas e a aceleração do envelhecimento biológico, trazendo implicações significativas para a longevidade e a saúde geral.

O estudo, que envolveu 3823 participantes com idades entre 24 e 92 anos, revelou que o consumo de álcool ao longo prazo está diretamente associado ao aceleramento do envelhecimento biológico, com base em resultados obtidos por meio de metilação do DNA.

Os pesquisadores utilizaram duas métricas de envelhecimento biológico, conhecidas como “GrimAge acceleration” (GAA) e “PhenoAge acceleration” (PAA), e descobriram que o aumento do consumo de álcool estava ligado a um envelhecimento acelerado nessas categorias.

Resultados do estudo

Os resultados mostraram que, em participantes de meia-idade (entre 45 e 64 anos) e idosos (de 65 a 92 anos), o consumo médio mais elevado de álcool estava diretamente relacionado a um aumento na aceleração do envelhecimento biológico, enquanto essa associação não era observada em participantes mais jovens (com idades entre 24 e 44 anos).

Por exemplo, o consumo adicional de uma dose padrão de álcool (equivalente a cerca de 14 gramas de etanol) foi associado a um aumento de 0,71 anos no envelhecimento biológico com base na métrica PAA em participantes de meia-idade e um aumento de 0,60 anos na mesma métrica em participantes idosos.

Curiosamente, o estudo também revelou que o tipo de bebida alcoólica fazia diferença. O consumo de uma dose adicional de licor foi associado a um aumento maior no envelhecimento biológico do que o consumo equivalente de cerveja ou vinho, especialmente em participantes de meia-idade. Isso sugere que diferentes tipos de álcool podem ter efeitos variados no envelhecimento biológico.

Além disso, os pesquisadores exploraram a possível ligação entre o consumo de álcool e a hipertensão, uma condição que afeta muitas pessoas em todo o mundo. Eles descobriram que até 28% da associação entre o consumo de álcool e a hipertensão poderia ser explicada pelo aumento do envelhecimento biológico, medido pelas métricas GAA e PAA.

Embora essas descobertas destaquem os efeitos do álcool na biologia do envelhecimento, é importante ressaltar que o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito definitiva e que mais pesquisas são necessárias para entender completamente essa conexão.

De modo geral, vale dizer que esses resultados ressaltam a importância de olhar atentamente para os hábitos de consumo de álcool no dia a dia. A moderação no consumo dessa substância e a compreensão de como ele pode afetar nossa vida de forma geral, não só em termos de envelhecimento, podem ser úteis na busca por mais qualidade de vida.

Referência:

Wang, Mengyao et al. “Alcohol consumption and epigenetic age acceleration across human adulthood.” Aging vol. 15,20 (2023): 10938-10971. doi:10.18632/aging.205153

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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