*Por Giovanna Tavares
A partir dos 30 anos, a capacidade reprodutiva das mulheres começa a declinar, culminando na menopausa. No entanto, o que está por trás desse declínio? Cientistas do Instituto Buck lançaram luz sobre um fator crucial: o dinucleotídeo de nicotinamida adenina, ou NAD+, que tem o potencial de afetar a fertilidade feminina.
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“Analisar a biologia ovariana e o envelhecimento reprodutivo não visa apenas aumentar a fertilidade, mas também melhorar a saúde geral das mulheres”, afirma o Dr. Eric Verdin, presidente e CEO do Instituto Buck e autor sênior do estudo.
“Nosso objetivo é compreender os processos subjacentes à diminuição da fertilidade relacionada à menopausa, que, por sua vez, afeta a longevidade e a saúde global das mulheres. Isso representa uma mudança de perspectiva fundamental.”
Descobertas do estudo
Segundo pesquisadores, o estudo abre caminhos para intervenções focadas na modulação do NAD+ para influenciar a fertilidade.
Para quem não está familiarizado com o termo, NAD+ é uma molécula presente em todas as células humanas, essencial para funções celulares críticas e um envelhecimento saudável.
Recentemente, os pesquisadores identificaram que o declínio do NAD+ estava associado à diminuição na quantidade e qualidade dos óvulos, levando à redução da fertilidade feminina.
Mas o que causava essa diminuição do NAD+?
A resposta estava em outra molécula: o CD38, uma enzima conhecida por sua participação na degradação, ou destruição, do NAD+. Durante o processo de envelhecimento, o CD38 é mais ativado, acelerando a degradação do NAD+ e, consequentemente, o envelhecimento.
No entanto, seu papel na função reprodutiva feminina era um mistério até agora.
Os cientistas descobriram que o CD38 estava principalmente nas células imunológicas ovarianas e em estruturas específicas fora dos folículos ovarianos.
Além disso, perceberam que a expressão aumentada do CD38 correspondia a menos NAD+, revelando uma peça crucial do quebra-cabeça.
A equipe também investigou ratos sem CD38 e encontrou mais “folículos primordiais”, que se transformam em óvulos maduros. Isso é significativo porque as fêmeas nascem com um número limitado desses folículos, determinando sua vida reprodutiva e fertilidade.
Essas descobertas indicam que o CD38 regula a função ovariana e a fertilidade por meio do metabolismo do NAD+, abrindo possibilidades para estender a longevidade reprodutiva.
“O CD38 é, sem dúvida, um alvo para possíveis tratamentos”, enfatiza a Dra. Rosalba Perrone, coautora do estudo. “O que torna esta pesquisa particularmente recompensadora é o conhecimento de que podemos potencialmente influenciar como o CD38 degrada o NAD+ e aumentar a fertilidade quando a concepção é desejada.”
Referência:
Perrone, Rosalba, et al. “CD38 Regulates Ovarian Function and Fecundity via NAD+ Metabolism.” iScience, vol. 26, no. 10, 2023, p. 107949, ISSN 2589-0042, https://doi.org/10.1016/j.isci.2023.107949.

