Os principais marcadores do envelhecimento

Para entender como o processo de envelhecimento ocorre, a ciência vem descobrindo quais são os seus principais marcadores. É como se o envelhecimento deixasse rastros no nosso corpo, e os pesquisadores, como detetives, fossem descobrindo as pistas e publicando os achados em artigos científicos. 

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O que a ciência descobriu e publicou até agora são os principais marcadores do processo de envelhecimento. Vou destacá-los a seguir — atualmente, são 12:

  • Inflamação crônica
  • Desregulação da sensibilidade aos nutrientes
  • Senescência celular
  • Disbiose 
  • Instabilidade genômica 
  • Atrito de telômeros 
  • Alterações epigenéticas 
  • Perda de proteostase 
  • Macroautofagia debilitada
  • Disfunção mitocondrial 
  • Exaustão de células-tronco 
  • Alteração de comunicação intracelular 

Esses marcadores são interconectados — se mexermos em um, o outro é afetado. De um lado positivo, se conseguirmos modular um dos marcadores de forma a amenizar as suas consequências, possivelmente amenizaremos outros também. É um efeito dominó. Em contrapartida, se exacerbarmos um, potencializaremos outros. 

Senescência celular: um marcador em destaque

A senescência celular é um processo inicialmente benéfico que impede que células danificadas se reproduzam, e isso nos protege contra alguns tipos de câncer. Porém, o grande problema está no desequilíbrio entre o surgimento dessas células e nossa capacidade de eliminá-las.

Ao se acumularem no nosso corpo, elas intensificam o processo de envelhecimento por produzirem e liberarem moléculas pró-inflamatórias, que causam danos às células vizinhas e deterioram a função dos tecidos, consequentemente diminuindo a sua capacidade regenerativa. Esse processo inflamatório se chama SASP (o fenótipo secretor associado à senescência).

Precisamos de sabedoria e jogo de cintura para modular a senescência na potência correta. Trata-se de um processo guiado por fatores genéticos, epigenéticos e ambientais, que acontece em muitos tipos de células somáticas. 

O acúmulo das células senescentes ocorre em tecidos danificados ou envelhecidos. Esse tipo de célula tem como principal característica a parada total do seu crescimento. Ela não cresce, não se multiplica e não morre, como se ela fosse uma “célula-zumbi”. É importante estudar esse processo inteiro pois a senescência celular está ligada a várias patologias associadas ao envelhecimento, como por exemplo: aterosclerose, osteoartrite, osteoporose, câncer, diabetes e doença de Alzheimer.

O que vem se descobrindo são os senolíticos e senomórficos — substâncias que são capazes de modular essa produção de células senescentes. Os senolíticos são pequenas moléculas que são capazes de seletivamente destruir as células senescentes pelo processo de apoptose (que é uma morte celular programada).

Os senomórficos, por sua vez, também são pequenas moléculas que visam bloquear todos ou a maioria das características principais das células senescentes, através do bloqueio da SASP.

Estudar o processo de senescência celular é fascinante e desafiador. Se pisarmos com muita força no acelerador, abrimos portas para o câncer, mas se pisarmos no freio, abrimos as portas para outras patologias.

Equilíbrio é a palavra-chave.

Quando chegarmos nesse ponto do meio, teremos a possibilidade de postergar ao máximo as doenças crônicas que mais acometem a nossa sociedade, e viver uma vida mais saudável e possivelmente até mais longa. 

Referências:

1. Lagoumtzi SM, Chondrogianni N. Senolytics and senomorphics: Natural and synthetic therapeutics in the treatment of aging and chronic diseases. Free Radic Biol Med. 2021 Aug 1;171:169-190. doi: 10.1016/j.freeradbiomed.2021.05.003. Epub 2021 May 12. PMID: 33989756.

2. López-Otín et al., Hallmarks of aging: An expanding universe, Cell (2023), https://doi.org/10.1016/ j.cell.2022.11.001

Autor

  • Nutricionista pós-graduada em Medicina Integrativa pelo Hospital Albert Einstein, Nutrição Materno-Infantil pela VP e cursada em Avaliação Metabólica e Nutricional. Atualmente, é membro da HLMS (Healthy Longevity Medicine Society) | CRN3-SP: 50599

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