“Queremos democratizar a medicina da longevidade”

Como colocar em prática a medicina da longevidade? Esse, sem dúvida, é um dos maiores desafios de pesquisadores, cientistas e médicos que estudam o ramo. 

Durante a 1ª Conferência de Longevidade do Sheba Medical Center, Andrea B. Maier, médica e professora da Universidade Nacional de Singapura, mostrou que há evidências promissoras em relação a suplementos que podem melhorar a qualidade de vida e desacelerar o envelhecimento em pessoas idosas. Trata-se de um caminho seguro, baseado em evidência científica, que realmente tem potencial para beneficiar a vida das pessoas.

Um desses suplementos mencionados por Maier em sua palestra é o NMN (Nicotinamide Mononucleotide), uma molécula que desempenha um papel importante no metabolismo energético celular. É um precursor da coenzima NAD+ (Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo), que ajuda na produção de energia nas células e na regulação de processos metabólicos. 

À medida que envelhecemos, os níveis de NAD+ no organismo tendem a diminuir. Essa redução está associada a uma série de mudanças relacionadas ao envelhecimento, como declínio na função celular, menor eficiência energética e aumento do risco de doenças relacionadas à idade. 

“Nós nos perguntávamos se, com o aumento dos níveis de NAD no organismo, haveria também uma melhora na qualidade de vida, ou seja, se há uma relação entre dose (de NMN) e efeito. Os resultados mostram que sim”, afirmou a pesquisadora. Esses dados, apresentados na palestra de Maier durante a conferência, são inéditos.

Dados inéditos: níveis maiores de NAD no sangue (nmol/L) estão relacionados a maior desempenho em testes de velocidade de caminhada. Resultados também apontam melhor qualidade de vida dos participantes em comparação ao grupo de controle. Foto: Daniel Barros

Ela e outros pesquisadores descobriram, portanto, que níveis maiores de NAD no organismo estão relacionados à melhora na capacidade (e velocidade) de caminhada e qualidade de vida em geral, após a realização de testes com participantes com mais de 50 anos. A metodologia utilizada abrangeu placebo e diferentes dosagens de NMN.

Estes resultados não se restringem aos precursores de NAD. Outras substâncias que estão sendo testadas e analisadas pelo time de Maier são o alfa cetoglutarato (AKG), um suplemento, e a rapamicina, um medicamento imunossupressor com potencial antienvelhecimento. A ideia é oferecer, para o público em geral, tratamentos de longevidade baseados em evidências científicas.

Da ciência para a prática clínica

Com o acúmulo de evidências e testes, Maier acredita que é o momento de aplicar os protocolos de longevidade na prática clínica. Para isso, é fundamental poder contar com um ambiente de trocas, educação e colaboração entre os cientistas do mundo inteiro.

“Fundei uma clínica particular em Singapura voltada para a longevidade. E em agosto, vamos inaugurar nossa clínica financiada publicamente no Hospital Alexandra, na Universidade Nacional de Singapura”, revelou.

“Construímos um grande consórcio em parceria com o Sheba e a Clínica Mayo para padronizar os protocolos, aprender uns com os outros e democratizar a medicina da longevidade. No final, o objetivo é torná-la disponível e acessível a todos”, acredita Maier.

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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