O consumo de alimentos ultraprocessados (UPFs) está cada vez mais associado a um envelhecimento biológico acelerado. Um estudo liderado por Simona Esposito, da IRCCS Neuromed, na Itália, revela que esses alimentos podem impactar negativamente a saúde para além do simples valor nutricional.
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Publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, o estudo fornece evidências robustas sobre como os ultraprocessados e o envelhecimento estão conectados, destacando a necessidade de atenção redobrada ao consumo desses produtos.
Vamos entender, neste texto, como os ultraprocessados impactam a longevidade, desde a questão nutricional até a relação entre ultraprocessados e marcadores do envelhecimento.
O que são alimentos ultraprocessados?
Ultraprocessados são produtos industrializados que passam por diversos estágios de processamento e incluem ingredientes artificiais, como conservantes, aromatizantes e emulsificantes. Exemplos comuns e muito consumidos no dia a dia incluem:
- Refrigerantes
- Embutidos (como presunto, salame, peito de peru, entre outros)
- Biscoitos e salgadinhos
- Bolos prontos
- Sorvetes
Embora sejam convenientes e acessíveis, esses alimentos frequentemente têm baixo valor nutricional e são ricos em calorias vazias.
Além disso, estudos sugerem que os efeitos negativos dos ultraprocessados não se limitam à nutrição inadequada. Eles podem incluir impactos estruturais no organismo e exposições a compostos formados durante o processamento industrial, o que os torna ainda mais prejudiciais à saúde e à longevidade.
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Ultraprocessados aceleram o relógio biológico
O estudo revelou uma relação clara entre o consumo de ultraprocessados e o envelhecimento biológico acelerado:
- Diferença de Idade Biológica
Participantes com menor consumo de ultraprocessados tinham, em média, uma idade biológica 4,1 anos menor do que sua idade cronológica.
Já aqueles com maior consumo apresentaram uma idade biológica 1,6 anos maior do que sua idade cronológica.
- Relação Não Linear
A associação entre ultraprocessados e envelhecimento foi não linear (P = 0,049), indicando que pequenos aumentos no consumo podem ter impactos desproporcionais.
- Influência Limitada da Nutrição
Ao ajustar os dados pelo Mediterranean Diet Score, a associação foi reduzida em apenas 9,1%. Isso sugere que o impacto dos ultraprocessados vai além do conteúdo nutricional, envolvendo fatores como a matriz alimentar alterada e compostos químicos formados durante o processamento.
Por que os ultraprocessados aceleram o envelhecimento?
Embora a baixa qualidade nutricional dos ultraprocessados seja um fator, o estudo aponta que os não-nutrientes desses alimentos são os principais responsáveis pelo impacto no envelhecimento biológico. Entre os elementos destacados estão:
- Matriz Alimentar Alterada: Mudanças estruturais nos alimentos que afetam sua digestão e absorção.
- Materiais de Contato: Substâncias químicas transferidas das embalagens para os alimentos.
- Compostos Neoformados: Subprodutos gerados durante o processamento, como acrilamida e produtos de glicação avançada.
Impactos dos ultraprocessados nos Marcadores do Envelhecimento
O consumo de alimentos ultraprocessados (UPFs) está associado à aceleração dos marcadores do envelhecimento, processos biológicos fundamentais que impulsionam o envelhecimento.
Veja como os UPFs afetam cada um desses pilares:
1. Instabilidade genômica
Os compostos neoformados (como a acrilamida) e o estresse oxidativo promovido pelos UPFs causam danos ao DNA, aumentando o risco de mutações.
2. Alterações epigenéticas
Dietas ricas em ultraprocessados afetam a metilação do DNA e a expressão de genes relacionados à inflamação e ao metabolismo, impactando negativamente o envelhecimento celular.
3. Perda da proteostase
Os produtos de glicação avançada (AGEs), comuns nos UPFs, desestabilizam proteínas e prejudicam a autofagia, essencial para a remoção de proteínas danificadas.
4. Disfunção mitocondrial
UPFs sobrecarregam o metabolismo, gerando espécies reativas de oxigênio (EROs), que comprometem a eficiência mitocondrial.
5. Senescência celular
A inflamação crônica induzida pelos UPFs acelera a entrada das células no estado de senescência, reduzindo sua funcionalidade.
6. Inflammaging
A disbiose intestinal e a inflamação sistêmica causadas por aditivos e emulsificantes nos UPFs aumentam níveis de citocinas pró-inflamatórias, intensificando o envelhecimento.
7. Sensibilidade alterada a nutrientes
Os UPFs desregulam os sistemas mTOR e AMPK, promovendo envelhecimento celular e prejudicando a autofagia.
8. Exaustão das células-tronco
O estresse oxidativo e inflamatório causado pelos UPFs reduz a capacidade regenerativa das células-tronco.
9. Comunicação intercelular alterada
Substâncias químicas como BPA, presentes em embalagens de UPFs, atuam como disruptores endócrinos, prejudicando a comunicação hormonal e celular.
Conclusão
Os resultados deste estudo reforçam o impacto negativo dos ultraprocessados na saúde, mostrando que seus efeitos vão além da nutrição inadequada. Para pesquisadores e estudiosos da longevidade, os dados abrem novas possibilidades de investigação sobre os mecanismos pelos quais esses alimentos interferem no envelhecimento biológico.
Para quem deseja promover uma vida mais longa e saudável, evitar ultraprocessados é um passo fundamental. Afinal, cuidar da qualidade dos alimentos que consumimos é essencial para preservar nossa saúde e juventude por mais tempo.
Referências:
Esposito, S., et al. (2024). Am J Clin Nutr.
López-Otín, C., et al. (2013). Cell, 153(6), 1194-1217.
Monteiro, C. A., et al. (2019). Public Health Nutrition, 22(5), 936-941.
Mariath, A., et al. (2022). Br J Nutr .


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