No universo da longevidade, que está em constante evolução, uma molécula tem chamado significativamente a atenção: trata-se da espermidina. Derivada da palavra grega “sperma”, que significa “semente”, a espermidina é uma poliamina natural encontrada em todas as células vivas.
Ainda que seu nome não seja tão familiar, a espermidina possui um potencial importante para influenciar vários aspectos de nossa saúde e bem-estar, incluindo a longevidade. Diversos estudos já demonstraram que essa molécula é capaz de atenuar alguns marcadores do envelhecimento, por exemplo.
Neste texto, você entenderá melhor as propriedades da espermidina, para o que ela serve e onde encontrá-la, em fontes naturais e suplementos alimentares.
O que é a espermidina?
A espermidina é um componente vital da vida celular, com efeitos pleiotrópicos, ou seja, ela é capaz de oferecer múltiplos benefícios à nossa saúde. Esta poliamina desempenha papéis fundamentais no crescimento, proliferação e diferenciação celular, garantindo assim o funcionamento adequado e a integridade de nossas células.
Um detalhe muito importante sobre a espermidina é que, em muitos aspectos, ela possui uma ação que se assemelha à restrição calórica, no que diz respeito aos benefícios para o organismo e impacto na longevidade. Para entender melhor sobre o papel da restrição calórica, clique aqui.
Para que serve a espermidina?
Como mencionamos anteriormente, a espermidina é capaz de afetar múltiplos marcadores do envelhecimento e, assim, favorecer a saúde e o bem-estar de uma forma geral.
Um aspecto que vale mencionar é o seu estímulo à autofagia celular, que nada mais é do que o processo de “reciclagem” de componentes celulares defeituosos, que precisam ser eliminados ou reaproveitados de alguma forma. A espermidina, assim como a restrição calórica, estimula isso.
Vejamos outros benefícios importantes da espermidina:
Potencial Antienvelhecimento
Talvez um dos aspectos mais significativos da espermidina seja sua associação com o aprimoramento da autofagia, um processo celular responsável pela remoção de componentes celulares danificados ou disfuncionais.

À medida que envelhecemos, nossas células acumulam detritos celulares e organelas que não funcionam muito bem, contribuindo para vários problemas relacionados à idade.
A capacidade da espermidina de estimular a autofagia é como um mecanismo de limpeza natural para nossas células, ajudando a retardar o processo de envelhecimento.
Melhora da Saúde Cardíaca
Pesquisas emergentes sugerem que a espermidina pode ter benefícios cardiovasculares. Ela parece desempenhar um papel na redução da pressão sanguínea, na melhoria da função cardíaca e na redução do risco de doenças cardíacas.
Embora mais pesquisas em humanos sejam necessárias, essas descobertas preliminares oferecem promessas para a saúde cardíaca.
Proteção Cerebral
Além de seus benefícios celulares, a espermidina despertou o interesse de neurocientistas. Alguns estudos indicam que a espermidina pode fornecer neuroproteção, protegendo potencialmente contra doenças neurodegenerativas e declínio cognitivo relacionado à idade. Isso abre possibilidades empolgantes para a saúde cerebral na população idosa.
Suporte ao Sistema Imunológico
Um sistema imunológico forte e renovado é crucial para a defesa do corpo contra infecções e doenças. A espermidina tem sido relacionada à modulação do sistema imunológico, sugerindo que ela pode reforçar as defesas do corpo. Embora os mecanismos por trás dessa ligação exijam mais exploração, isso destaca o papel multifacetado da espermidina na saúde.
Aumento da expectativa de vida
A suplementação de espermidina pode prolongar a expectativa de vida em diferentes espécies, e isso está relacionado à ativação da autofagia, como explicamos anteriormente.
Além disso, a espermidina parece ter efeitos protetores contra as doenças associadas ao envelhecimento, como doenças cardiovasculares, neurodegeneração e câncer.
Há evidências, ainda, de que a suplementação dietética de espermidina pode melhorar a memória em moscas com comprometimento da memória devido à idade, proteger contra a desmielinização dirigida por autoimunidade em um modelo de camundongo de esclerose múltipla, reduzir o crescimento de tumores transplantáveis e estimular a vigilância imunológica anticâncer em combinação com a quimioterapia.
Além disso, estudos epidemiológicos sugerem que um maior consumo de poliaminas na dieta, como a espermidina, está correlacionado com menor mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer em seres humanos.
Onde encontrar a espermidina?
Alimentos
Uma das maneiras mais acessíveis de incorporar a espermidina em sua vida é por meio de fontes alimentares. Vários alimentos contêm espermidina, permitindo aumentar naturalmente sua ingestão.
Alguns desses alimentos ricos em espermidina incluem:
- Soja fermentada
- Gérmen de trigo
- Milho
- Couve
- Maçã
- Queijos curados
- Cogumelos
- Batatas
- Ervilhas
- Grão de bico
Suplementos alimentares
Para aqueles que buscam aumentar ainda mais a ingestão de espermidina, há suplementos disponíveis no mercado. Eles são produzidos a partir do gérmen de trigo e podem ser manipulados em formato de cápsulas, para facilitar a ingestão.
Embora o nosso organismo seja capaz de sintetizar espermidina a partir de outros compostos, garantindo um suprimento contínuo dessa molécula essencial, vale dizer que essa capacidade pode diminuir com a idade, tornando as fontes alimentares e suplementação cada vez mais relevantes.
Pensamentos finais
No âmbito da ciência da longevidade, a espermidina se destaca como uma intervenção natural para barrar ou reduzir os efeitos do envelhecimento.
Essa poliamina natural, encontrada em todas as células vivas, tem sido associada a uma infinidade de benefícios para a saúde, desde o aprimoramento de processos celulares, como a autofagia, até a potencial expansão de nossos anos saudáveis.
Ao incorporar alimentos ricos em espermidina em sua dieta, você pode dar um passo proativo para nutrir sua saúde celular.
No entanto, é crucial abordar a espermidina com a consciência de que a pesquisa está em andamento e seu potencial completo na promoção da saúde humana ainda está para ser completamente revelado.
Referências:
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