Fisetina pode reverter senescência celular em animais idosos

Um estudo inovador recentemente publicado no periódico científico Antioxidants revelou informações promissoras sobre o potencial da fisetina, um flavonoide natural, para combater a senescência celular em ovelhas idosas. 

A pesquisa, conduzida por uma equipe de cientistas, teve como objetivo trazer à luz a presença de células senescentes em órgãos vitais e os efeitos da fisetina na reversão desse processo em um modelo animal mais translacional, no caso, as ovelhas.

A senescência celular, um fenômeno biológico no qual as células perdem a capacidade de se dividir e funcionar corretamente, é uma característica do envelhecimento e está associada a doenças relacionadas à idade, incluindo condições neurodegenerativas. 

Leia mais: Células senescentes e envelhecimento: qual é a relação?

Este estudo concentrou-se em entender o papel da fisetina em mitigar a senescência celular em vários órgãos, com ênfase específica no cérebro.

No experimento, ovelhas fêmeas com idade de 6-7 anos receberam um regime de fisetina de 100 mg/kg ou uma substância de controle ao longo de oito semanas. Após o período de tratamento, todos os órgãos vitais foram colhidos e extensivamente analisados.

Principais descobertas do estudo

Presença de células senescentes: A pesquisa confirmou a presença de células senescentes, principalmente neurônios, no córtex cerebral, cerebelo e área não-Cornu Ammonis (CA) do hipocampo de ovelhas idosas.

Impacto da fisetina: O tratamento com fisetina resultou em uma redução significativa de neurônios, astrócitos e microglias senescentes tanto na matéria cinzenta quanto na branca do córtex cerebral e na área não-CA do hipocampo.

Mudanças na expressão genética: O tratamento com fisetina diminuiu as expressões de genes senescentes e inflamassomas em vários órgãos, incluindo fígado, pulmão, baço e coração. Notavelmente, houve reduções significativas nas expressões dos genes P16, GLB1, TREM2 e NRLP3.

Efeitos antioxidantes: O tratamento com fisetina resultou em mudanças nos genes relacionados a antioxidantes, com diminuições em SOD1 no fígado e baço, e um aumento em CAT no baço.

Biomarcador sanguíneo: Os níveis plasmáticos de S100B diminuíram significativamente após o tratamento com fisetina, indicando possíveis benefícios sistêmicos.

Essas descobertas sugerem que a fisetina pode ter potencial como estratégia terapêutica para doenças relacionadas à idade, incluindo condições neurodegenerativas. 

Ao direcionar a senescência celular e modular a expressão genética, a fisetina parece oferecer uma abordagem multifacetada para mitigar o declínio relacionado à idade.

Esta pesquisa abre caminho para investigações adicionais sobre os mecanismos de ação da fisetina e sua aplicação potencial na medicina humana. Embora este estudo tenha utilizado um modelo animal, sua relevância translacional destaca a necessidade de continuar explorando o potencial terapêutico da fisetina no combate a doenças relacionadas à idade e na promoção do envelhecimento saudável.

Referência:

Huard, Charles A., et al. “Effects of Fisetin Treatment on Cellular Senescence of Various Tissues and Organs of Old Sheep.” Antioxidants, vol. 12, no. 8, Aug. 2023, p. 1646. Crossref, https://doi.org/10.3390/antiox12081646.

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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