DNA circulante pode ser um biomarcador para envelhecimento e fragilidade

Pesquisadores da Johns Hopkins Medicine conduziram um estudo de oito anos com mais de 600 idosos que vivem na comunidade e descobriram uma nova conexão entre os níveis de DNA livre de células circulante no sangue e a inflamação crônica e fragilidade, fatores associados ao envelhecimento.

Essa descoberta, publicada na revista Immunity & Ageing, expande pesquisas anteriores ao analisar especificamente o DNA mitocondrial em vez do DNA genômico.

Leia mais: O que são as doenças associadas ao envelhecimento?

O estudo revelou que altos níveis de fragmentos de DNA encontrados em amostras de sangue podem ser biomarcadores precisos e úteis para avaliar uma ampla gama de declínios cognitivos e físicos relacionados ao envelhecimento.

Além disso, foi encontrada uma correlação entre esses fragmentos de DNA circulante e a presença de outros biomarcadores conhecidos do envelhecimento, como proteínas citocinas, fatores de necrose tumoral e proteínas inflamatórias produzidas pelo fígado.

Os pesquisadores enfatizam que entender e prever os declínios físicos e cognitivos que ocorrem com o envelhecimento é essencial para promover a longevidade saudável, preservando a qualidade de vida e a energia de idosos. Identificar o DNA circulante no sangue como um biomarcador é apenas o começo dessa pesquisa promissora.

Como o estudo foi feito?

No estudo, foram analisadas amostras de sangue coletadas de 672 idosos com idade média de 80 anos no início do estudo. Esses participantes passaram por testes físicos e cognitivos anuais, incluindo avaliações de memória, percepção, força de preensão, marcha, fadiga e função motora. Os pesquisadores compararam os níveis de fragmentos de DNA mitocondrial circulante livre de células com quatro biomarcadores conhecidos de inflamação.

Os resultados mostraram uma estreita relação entre esses biomarcadores e quantidades aumentadas de DNA mitocondrial circulante livre de células. Além disso, descobriu-se que altos níveis de DNA genômico circulante estavam associados ao declínio cognitivo e físico, enquanto os níveis elevados de DNA mitocondrial estavam mais fortemente ligados apenas ao declínio físico.

Os pesquisadores agora planejam expandir suas pesquisas para incluir adultos mais jovens, a fim de identificar o momento mais precoce em que esses fragmentos de DNA livre de células se tornam prevalentes nas amostras de sangue. Eles também estão determinados a entender como esses fragmentos de DNA contribuem para a inflamação e buscar intervenções antes que se tornem precursores do declínio cognitivo e físico.

Esse estudo representa um importante avanço na compreensão dos processos de envelhecimento e na identificação de biomarcadores que podem ajudar a diagnosticar e intervir precocemente em declínios cognitivos e físicos relacionados à idade.

A pesquisa foi financiada por diversas instituições, incluindo a BrightFocus, o Centro de Independência de Idosos Claude D. Pepper da Universidade Johns Hopkins e o Instituto Nacional do Envelhecimento.

Os resultados obtidos podem levar a intervenções mais eficazes para promover a saúde e o bem-estar dos idosos, prolongando seu “espano da saúde” e melhorando sua qualidade de vida.

Referência:

Nidadavolu, L.S., Feger, D., Chen, D. et al. Associations between circulating cell-free mitochondrial DNA, inflammatory markers, and cognitive and physical outcomes in community dwelling older adultsImmun Ageing 20, 24 (2023). https://doi.org/10.1186/s12979-023-00342-y

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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