“Acham que longevidade é viver doente por mais tempo”

Segundo o médico e cientista Nir Barzilai, um dos palestrantes da 1ª Conferência de Longevidade do Sheba Medical Center, a metformina é um dos poucos exemplos de fármacos aprovados para uso em humanos que consegue impactar positivamente todos os marcadores do envelhecimento

“Quando você corrige um destes hallmarks, e consegue revertê-lo, você afeta todos os outros, porque eles estão conectados”, disse Barzilai durante a palestra. 

Para Barzilai, muitos usos potenciais da metformina ainda estão sendo descobertos. O médico explicou que, inicialmente, a substância era usada para tratar pacientes com artrite, quando se descobriu sua ação regulatória das taxas de glicose no sangue. 

Atualmente, sabe-se que a metformina não só atua no controle e reversão do diabetes, mas também previne doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e risco de morte por todas as causas. “Ainda existem muitas evidências de que a metformina pode reduzir em até 30% o risco de câncer”, ressaltou o cientista.

Apresentação de Nir Barzilai durante a 1a Conferência de Longevidade do Sheba Medical Center, em Israel. Foto: Daniel Barros

Segundo Barzilai, o ponto-chave dessa questão é que a metformina “é segura, barata e genérica”, atuando em todas as causas de envelhecimento e em doenças associadas à idade, ainda que indiretamente. Ou seja: trata-se de uma substância democrática com um importante potencial para os estudos de longevidade. 

Metformina e longevidade

Nir Barzilai é um pesquisador muito conhecido no campo da longevidade e é um grande defensor do uso da metformina para a promoção da saúde e aumento da longevidade. Barzilai e sua equipe lideraram o estudo TAME (Targeting Aging with Metformin), que busca investigar os efeitos da metformina na prevenção de doenças relacionadas à idade.

O médico argumenta que a metformina, um medicamento comumente usado para tratar diabetes tipo 2, pode ter benefícios adicionais para a saúde que vão além do seu uso tradicional, ajudando a prevenir doenças relacionadas ao envelhecimento, como câncer, doenças cardíacas e demência.

Ele reforça que uma das ações mais importantes da metformina é ajudar a reduzir a inflamação, um processo que é conhecido por estar relacionado a várias doenças crônicas. Barzilai também sugere que a metformina pode ajudar a melhorar a função mitocondrial, que é importante para a produção de energia celular e está relacionada à saúde em geral. 

A disfunção mitocondrial é, inclusive, uma das hipóteses do envelhecimento, como explicamos neste artigo.

Barzilai também defende que a metformina pode ser uma intervenção segura e acessível para promover a saúde e prolongar a vida em geral. Ele acredita que a metformina pode ser usada como uma “pílula anti-envelhecimento” para ajudar as pessoas a envelhecer com saúde e prevenir doenças relacionadas à idade.

Quem é Nir Barzilai?

Nir Barzilai é um médico e cientista renomado no campo da longevidade. Ele é o fundador e diretor do Instituto de Longevidade Albert Einstein em Nova York, que é um centro de pesquisa que se concentra em descobrir os fatores genéticos e ambientais que contribuem para a longevidade e o envelhecimento saudável.

O pesquisador também é conhecido por liderar a equipe responsável pelo Estudo de Longevidade de Centenários de Ashkenazi, um projeto que tem como objetivo investigar por que os judeus ashkenazi vivem mais tempo e com menor incidência de doenças crônicas do que outras populações. 

Barzilai também é o principal investigador do Estudo do Envelhecimento no Vale do Hudson, que tem como objetivo descobrir marcadores biológicos que possam prever a longevidade e o risco de doenças relacionadas à idade.

Além disso, o médico é um defensor ativo da medicina da longevidade e tem como objetivo mudar a forma como a sociedade vê o envelhecimento. Segundo ele, o envelhecimento é um processo tratável e que pode ser prevenido. A medicina da longevidade pode, portanto, ajudar as pessoas a viverem vidas mais saudáveis e prolongadas.

A pesquisa de Barzilai tem sido amplamente reconhecida por sua importância na compreensão do envelhecimento e da longevidade. Ele já recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio da Sociedade Americana de Gerontologia em 2010, o Prêmio de Longevidade da Fundação Glenn em 2013 e o Prêmio de Pesquisa em Longevidade da Fundação Heinz em 2015. 

Sua pesquisa é vista como uma das mais importantes contribuições para o campo da medicina da longevidade.

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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