O futuro é promissor e devemos olhar para ele com esperança. É assim que Martin O’Dea, CEO do Longevity Summit Dublin, reflete sobre longevidade e avanços científicos no campo do envelhecimento.
O evento, previsto para ocorrer entre os dias 17 e 20 de agosto de 2023, reunirá algumas das mentes mais brilhantes no campo da longevidade, envolvendo pesquisa científica e inovação tecnológica.
Em uma entrevista exclusiva, tivemos o privilégio de conversar com Martin O’Dea, discutindo suas expectativas, pensamentos e implicações que esses progressos podem ter para indústrias, economias e sociedades em todo o mundo.
Leia a transcrição da entrevista abaixo:
Lifespan Brasil: Quais são suas principais expectativas em relação ao Longevity Summit Dublin?
Martin O’Dea: Estamos realmente empolgados com o calibre dos palestrantes que estarão no evento ao longo dos quatro dias. É uma lista com foco nos principais cientistas do campo da longevidade. Há também outros nomes relevantes em áreas auxiliares, como Inteligência Artificial, por exemplo, e as clínicas de longevidade.
Mas o evento está muito direcionado para os cientistas que estão na vanguarda das pesquisas e que estão tentando determinar quais elementos do envelhecimento são mais maleáveis para intervenções atuais e futuras.
São os cientistas que estão buscando abordar isso em seus laboratórios, buscando conscientização e financiamento para seus trabalhos ao redor do mundo.
Lifespan Brasil: Como você imagina que esse evento contribuirá para nossa compreensão da longevidade e para possíveis avanços na extensão da vida humana?
Martin O’Dea: Algumas das discussões que planejamos para o summit têm como objetivo chegar ao cerne dos problemas mais difíceis do envelhecimento.
Acho que podemos ser muito positivos quanto ao momento em que estamos agora. Temos mostrado, nos últimos 30 anos, que o envelhecimento é maleável. E em muitos organismos modelo, conseguimos estender a vida útil média e também a vida útil máxima.

Por mais que gostemos de pensar que os humanos são especiais, é improvável que sejamos tão especiais assim. E não vejo por que o universo se importaria se vivêssemos 100 ou 200 anos.
Portanto, creio que a extensão da vida humana será inevitável em algum momento.
Mas para isso, precisamos começar as intervenções em uma idade muito mais precoce. É mais difícil pegar alguém de 110 anos e reverter o acúmulo de danos que esse indivíduo tem. Por isso, não acho que a vida útil máxima seja um alvo imediato.
E podemos estender a longevidade de populações reais? Acredito que podemos fazer isso agora mesmo, com intervenções de estilo de vida, sono, exercícios e dieta. Seguindo essas diretrizes, teríamos um impacto enorme na vida útil média, de uma forma mais acessível aos seres humanos.
Então, vejo que uma meta mínima para a indústria da longevidade, agora, é comprimir a morbidade. Aumentar o tempo de vida com saúde dessas pessoas. Essa meta mínima teria um impacto financeiro enorme.
Faria com que os governos economizassem somas astronômicas, por exemplo, se essa meta fosse alcançada. Mas acredito que essa é uma meta mínima.
E além disso, imagino que o próximo alvo seja estender significativamente a vida útil média. Novamente, penso que intervenções no estilo de vida podem alcançar isso.
Lifespan Brasil: Quais discussões ou resultados específicos você espera acompanhar no summit?
Martin O’Dea: Sinceramente, olhando para todo o Longevity Summit Dublin, não vejo nenhum ponto fraco ou médio. Acho que é óbvio que eu diria isso, mas todos os elementos do evento estão bastante fortes. Eu disse isso em outra entrevista, mas gosto da novidade de Steve Austad e Emma Teeling (eles participarão da palestra “Fazendo melhor uso de espécies negligenciadas”).
Eles estão olhando para várias espécies e suas trajetórias de longevidade, que, como todos sabemos, variam imensamente. Algumas criaturas vivem muito, muito mais do que os humanos. E os mecanismos pelos quais eles alcançam isso podem ser muito interessantes para nós.
Falei sobre isso em outro lugar, mas parece algo novo, o que é incrível nessa indústria. E parece ter aplicações de enormes potenciais. Tudo isso conversa com pessoas como Aubrey De Gray, Brian Kennedy… É emocionante estar ao redor desses grandes nomes do campo.
Eles têm discussões em que se desafiam e focam no desafio em questão, e é realmente interessante ver como eles progridem através da colaboração, mas também pela oposição de ideias.
Lifespan Brasil: Do ponto de vista de um CEO, como você enxerga que esses avanços moldarão indústrias, economias e sociedades no futuro?
Martin O’Dea: Parece inevitável para mim que, em algum momento, as pessoas olharão para trás na história e ficarão chocadas com a ideia de que as pessoas simplesmente adoeciam e morriam.
Acho que elas verão isso da mesma maneira que nós nos horrorizamos com pessoas que não recebiam anestesia, há 160 ou 170 anos, e passando por uma amputação. Então, acho que isso é inevitável, mas não sei quando acontecerá.
É interessante notar que a pesquisa sobre o envelhecimento e a biologia do envelhecimento, especificamente, assim como a descobertas de intervenções, não são um jogo de tudo ou nada.
Faremos progressos passo a passo em direção a um ponto em que teremos o controle completo sobre o envelhecimento de alguma forma. Em alguns aspectos, isso não é ótimo, porque leva tempo.
Atualmente, as pessoas estão morrendo a uma taxa de 160.000 por dia, uma tragédia imensa que não pensamos porque, por autoproteção, de certa forma, consideramos como algo positivo em termos econômicos.

Ainda assim, haverá um período de ajuste em que as pessoas estarão vivendo um pouco mais, um pouco mais, e assim por diante. Mas realmente precisamos nos ajustar rapidamente.
Não é totalmente impossível que haja uma descoberta substancial e uma intervenção muito acessível que seja quase capaz de interromper o envelhecimento. Isso é improvável, mas não é impossível.
E nesse ponto, a sociedade ficaria abalada. Diversas áreas, incluindo hipotecas, pensões, heranças, empregos, carreiras, precisariam ser revistos.
Agora, a coisa engraçada é que as pessoas olham para isso como algo ruim, como a automação e a Inteligência Artificial. Mas se você trouxesse alguém dos anos 1500 para os dias modernos e mostrasse a eles a IA, as pesquisas em longevidade e a crescente capacidade de controlar a biologia, eles veriam isso como uma espécie de poder mágico incrível.
Então, acho que com todas essas coisas, precisamos saber apreciar e tirar o melhor proveito dessas descobertas. Não devemos odiá-las. São achados maravilhosos e não devemos olhar para elas e dizer: oh, eu não quero isso, porque você sabe o que acontecerá com minha pensão.
O futuro é extremamente promissor e vamos abraçar as boas notícias, independentemente do formato. Acredito que os jovens precisam disso nos dias de hoje.
Longevity Summit Dublin
Data: 17 a 20 de agosto de 2023
Mais informações: https://longevitysummitdublin.com/

