Rapamicina restaura fluxo sanguíneo em camundongos idosos 

A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma condição que afeta a circulação sanguínea nas extremidades inferiores, podendo levar a problemas como perda de função e até amputação de membros. A idade é um dos principais fatores de risco para a DAP: estudos epidemiológicos determinaram a prevalência da DAP na população geral, que varia entre 4-10%; no entanto, há um claro aumento na prevalência com o aumento da idade, com taxas tão altas quanto 20% acima dos 70 anos.

Além da idade, outros fatores de risco incluem aterosclerose, tabagismo, hipertensão, sedentarismo e diabetes tipo 2. Estudos anteriores sugeriram que pacientes com doenças associadas à idade, como a doença de Alzheimer (DA), apresentam um risco aumentado de DAP. 

Uma possível intervenção seria o uso de fármacos, como a rapamicina, para restabelecer o fluxo sanguíneo. Um novo estudo, publicado no periódico Geroscience, analisou os efeitos do uso da rapamicina, um medicamento que inibe a via metabólica da proteína mTOR, na melhoria da circulação sanguínea periférica em camundongos idosos e modelos de aterosclerose e DA. 

A mTOR é uma serina/treonina quinase que detecta várias mudanças ambientais e intracelulares, incluindo disponibilidade de nutrientes e estado de energia. Ela regula o crescimento celular, a proliferação e a sobrevivência, sendo amplamente estudada por seu papel no envelhecimento.

Os resultados deste novo estudo indicam que a inibição da mTOR com rapamicina pode melhorar o fluxo sanguíneo periférico em camundongos idosos e em modelos de aterosclerose e DA. O tratamento com rapamicina melhorou a perfusão da pata traseira em camundongos idosos, bem como restaurou os níveis de fluxo sanguíneo para níveis semelhantes aos de controle jovem. 

Além disso, a rapamicina melhorou os déficits de fluxo sanguíneo periférico em modelos de aterosclerose e DA. Esses dados indicam que a mTOR está envolvida na redução do fluxo sanguíneo periférico associado ao envelhecimento, aterosclerose e progressão semelhante à DA em camundongos.

A rapamicina e outros inibidores da mTOR podem ter potencial como intervenções para tratar a doença arterial periférica e outras condições relacionadas à circulação periférica. 

Esses resultados sugerem que a rapamicina pode ter um papel importante no tratamento de doenças associadas ao envelhecimento também, como a DAP e a DA, e que estudos futuros devem investigar ainda mais o seu potencial terapêutico.

Referência:

Van Skike, Candice E et al. “Rapamycin restores peripheral blood flow in aged mice and in mouse models of atherosclerosis and Alzheimer’s disease.GeroScience, 10.1007/s11357-023-00786-6. 13 Apr. 2023, doi:10.1007/s11357-023-00786-6

Yoon, Mee-Sup. “mTOR as a Key Regulator in Maintaining Skeletal Muscle Mass.” Frontiers in physiology vol. 8 788. 17 Oct. 2017, doi:10.3389/fphys.2017.00788

Makdisse, M., et al.. “Prevalência E Fatores De Risco Associados À Doença Arterial Periférica No Projeto Corações Do Brasil”. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, vol. 91, no. 6, Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC, Dec. 2008, pp. 402–14, doi:10.1590/S0066-782X2008001800008.

Autor

  • Comitê Científico Lifespan

    O Comitê Científico do Lifespan é composto por jornalistas, pesquisadores, médicos e estudiosos da longevidade humana. Nosso objetivo é analisar, interpretar e trazer ao público as principais notícias e descobertas desse ramo, com base na ciência.

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